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Uma patrulha de Mossos d'Esquadra (polícia catalã) foi chamada devido à morte de um homem que tinha desmaiado na rua em Santa Coloma de Gramenet, Barcelona, em outubro de 2021. Dois agentes da polícia de Mataró, que divide o patrulhamento com cidades da região de Besòs durante o turno da noite, responderam ocorrência.
O morto era um colombiano que a polícia inicialmente suspeitou ser "mula" de droga, refere o La Vanguardia. Quando a patrulha chegou, já os paramédicos e a polícia local estavam presentes. Foi-lhes entregue uma mochila com os pertences da vítima - incluindo um iPhone 12 e AirPods (fones sem fios da Apple). No entanto, no momento de fazer o inventário dos objetos do homem, os dispositivos não se encontravam listados.
O Tribunal Provincial de Barcelona condenou agora um dos agentes de Mataró a 13 meses de prisão pelo roubo do telemóvel e dos AirPods da vítima. Numa sentença divulgada pelo El Diario, o tribunal considerou o envolvimento do agente era evidente e condenou-o por apropriação indevida, com a agravante de ter cometido o crime "aproveitando-se da sua posição como agente da autoridade" e "utilizando essa circunstância para facilitar o ato, uma vez que as ações no exercício das suas funções profissionais não levantaram inicialmente suspeitas".
O agente foi ainda condenado a pagar à viúva uma indemnização de 850 euros, o equivalente ao valor dos bens roubados.
A sentença implica ainda que fique inabilitado de cumprir funções como agente da polícia por um período equivalente ao da pena de prisão. Os Mossos tinham um processo disciplinar aberto contra o agente, que foi suspenso até à conclusão do processo criminal.
Mas como foi descoberto?
Poucos dias após o incidente, a viúva foi à esquadra da polícia de Santa Coloma de Gramenet para reclamar os pertences do marido e percebeu que o telemóvel e os AirPods tinham desaparecido. Com recurso a um iPad e à aplicação Encontrar, que permite a geolocalização de dispositivos Apple, descobriram que o telemóvel parou de transmitir sinal na noite da morte do dono na esquadra da polícia de Mataró e, dois dias depois, os AirPods emitiram sinal na casa do agente da polícia acusado, também em Mataró.
"Isso reforça o facto de que estavam na posse do referido agente", pode ler-se na sentença citada pela imprensa espanhola. O tribunal também levou em consideração que os fones de ouvido não podem ser localizados a menos que estejam conectados a um telemóvel próximo, o que os levou a concluir que ambos estavam na posse do polícia.
O parceiro de patrulha do visado, que foi investigado no início do caso, alegou que o colega colocou a mochila da vítima no porta-bagagens da viatura e também foi o responsável por preparar o documento de cadeia de custódia. O documento teve de ser reescrito a pedido de um oficial superior, que apontou que a cadeia de custódia estava documentada incorretamente. Foi nesse momento que o acusado, em vez de escrever "fones de ouvido sem fio", escreveu "fones de ouvido brancos". O tribunal descreveu essa alteração como "surpreendente", afirmando que denota-se que o seu único propósito era "confundir".
IN:NM
