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Eram 23h do dia 10 de abril de 2025 quando o alerta soou na localidade de Santo António, em Vagos. Um homem de 45 anos estava a tentar matar toda a família: os filhos, de 4 e 14 anos, a mulher e a sogra, com a ajuda de gasolina e fogo.
De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), citada hoje pelo Correio da Manhã, o empresário, que se encontra agora a ser julgado no Tribunal de Aveiro, terá regado os filhos com gasolina, bem como uma parte da casa e ateou fogo para os matar.
Todos conseguiram salvar-se, mas nenhum esquece o filme de terror que viveram.
O homem, de nacionalidade ucraniana, encontra-se desde essa altura em prisão preventiva. Responde por quatro crimes de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de violência doméstica, um crime de incêndio e um outro de resistência e coação sobre funcionário.
Violência tinha anos
O empresário, que vive em Portugal desde 2001, maltratava a mulher desde, pelo menos, 2022. Os episódios de violência envolviam também os dois filhos menores do casal e estão a ser tidos em conta pelos juízes.
O processo relata vários dos episódios de maus-tratos. Além das ameaças de morte constantes, o arguido terá impedido que um dos filhos fosse ao hospital, apesar de estar doente, agarrou a mulher pelos cabelos e disse que ia fazer dela uma vassoura e, durante a gravidez do filho mais novo, não a ajudou, apesar de a ver a sangrar.
Tudo porque, alegadamente tinha ciúmes da mulher e achava que esta o traía.
"Morremos todos"
Após anos de terror, na noite do dia 10 de abril do ano passado, a família viveu o pior dos pesadelos. O cidadão ucraniano decidiu atear fogo à casa após mais uma discussão com a mulher.
Perante mais uma briga acalorada, a vítima dirigiu-se à Guarda Nacional Republicana (GNR) para denunciar o marido.
E o empresário aproveitou a sua ausência para regar não só parte da casa com gasolina, como o corpo e roupas dos dois filhos.
Quando a mulher chegou a casa foi ameaçada pelo suspeito, que disse que iria matar toda a família. A vítima fechou-se no quarto com os filhos e a mãe e chamou a GNR.
Nessa altura, o arguido ateou fogo à casa. A criança mais nova foi salva pela mãe que, com coragem, atravessou o fogo, acabando por ficar com alguns ferimentos.
Já a menor mais velha e a avó conseguiram escapar já após a chegada da GNR. Mesmo na presença dos militares, o empresário mostrou-se sempre muito agressivo e tentou a todos o custo impedir que a família fosse salva.
O ucraniano acabou por se barricar, como revelou na altura a rádio regional Vagos FM.
Ateou fogo a dois carros na garagem de casa e ainda lançou gasolina na direção de um dos elementos da Guarda, apontando-lhe um isqueiro. "Eu morro e vocês também, morremos todos", terá dito aos militares.
Por isso, o MP não tem dúvidas que o arguido tinha consciência que o incêndio "de grandes dimensões" poderia "provocar a morte" toda a família, o que só não aconteceu "por razões alheias à sua vontade", ou seja, devido à rápida intervenção da GNR e dos Bombeiros de Vagos, que conseguiram evitar o pior.
Além da mulher, também o militar que levou com gasolina também sofreu ferimentos. Ambos foram na altura transportados para uma unidade hospitalar.
Na dedução da acusação, o MP pediu que, em caso de condenação, seja atribuída uma indemnização às vítimas pelos danos causados. Segundo os procuradores, além das lesões físicas, tanto a mulher como os dois filhos e a sogra sofreram "tristeza, vergonha e humilhação" com os atos praticados pelo suspeito.
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