Trump admite mais duas ou três semanas de guerra. "Tempo não é crucial"
O Presidente norte-americano admitiu que a guerra com o Irão poderá prolongar-se ainda por duas ou três semanas e descartou que o tempo seja um "fator crucial" para os interesses de Washington.
"De uma forma ou de outra, ganhamos", afirmou Donald Trump durante uma entrevista à ABC News divulgada hoje, citada pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
Trump disse que ou os Estados Unidos fecham um acordo com o Irão ou ganham a guerra "com muita facilidade".
"Do ponto de vista militar, já ganhámos", reafirmou.
"Já me ouviram dizer isto um milhão de vezes", reconheceu o Presidente dos Estados Unidos, que ordenou os ataques ao Irão em 28 de fevereiro, numa operação conjunta com Israel.
Trump evitou pronunciar-se sobre se os ataques do Irão contra os Emirados Árabes Unidos na segunda-feira representaram uma violação das tréguas em vigor desde 08 de abril.
"Veremos o que acontece", afirmou, depois de ter minimizado na segunda-feira os ataques contra um campo petrolífero no leste do país do golfo Pérsico, ao afirmar que "não houve danos importantes".
Trump também minimizou a importância da possível duração da guerra, argumentando que existe uma grande aceitação por parte do público norte-americano em relação ao conflito, ao contrário do que indicam as sondagens.
"O tempo não é um fator crucial para nós", assegurou.
Trump disse que os Estados Unidos controlam o estreito de Ormuz desde o lançamento na segunda-feira de uma operação militar para facilitar a passagem dos navios retidos no golfo Pérsico, embora o Irão afirme o contrário.
Relativamente às reservas de urânio do Irão, principal argumento esgrimido pelos Estados Unidos e por Israel para lançar a nova ofensiva, Trump minimizou a respetiva importância e alcance devido aos bombardeamentos lançados em junho.
"Provavelmente, [as reservas de urânio] não podem ser usadas", afirmou.
Trump admitiu que gostava de capturar o urânio em posse do Irão para evitar que as autoridades iranianas "caiam na tentação" de insistir nas aspirações nucleares.
Os Estados Unidos e aliados ocidentais acusam o Irão de pretender dotar-se de armas nucleares, enquanto Teerão defende ter o direito de usar a tecnologia para fins civis.
A guerra no Médio Oriente desencadeada pela operação israelo-americana já causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano.
Teerão respondeu com ataques contra países da região e o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto dos produtos petrolíferos dos países do golfo Pérsico para os mercados internacionais.
A crise fez disparar os preços do petróleo e recear uma crise económica global, com repercussões a todos os níveis, incluindo a alimentação, com alertas da ONU para o agravamento de situações de fome em países mais vulneráveis.
Washington e Teerão têm em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril para tentar negociar o fim do conflito, mas as primeiras conversações em Islamabad foram infrutíferas e uma segunda ronda não chegou a realizar-se.
Na sequência do falhanço das negociações na capital do Paquistão, Trump decretou em 13 de abril um bloqueio naval aos portos e navios iranianos.
Trump suspende operação de escolta de navios no estreito de Ormuz
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na terça-feira a suspensão da operação dos EUA para escoltar navios através do estreito de Ormuz, em vigor há apenas um dia, numa iniciativa para chegar a um acordo com o Irão.
"O Projeto Liberdade (a operação norte-americana para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz) será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado", escreveu o Presidente norte-americano na sua rede social, Truth Social.
O republicano indicou que tomou a decisão com base no "pedido do Paquistão e de outros países", no "enorme sucesso militar" obtido pelos EUA na guerra com o Irão e no "grande progresso alcançado rumo a um acordo completo e definitivo com os representantes do Irão".
Trump acrescentou ainda que o bloqueio norte-americano do estreito permanecerá em vigor.
Israel e os Estados Unidos lançaram em 28 de fevereiro ataques contra alvos em todo o Irão, com o anunciado objetivo de atingir o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão e incitando a uma mudança de regime em Teerão.
Teerão respondeu com ataques contra os países vizinhos, tendo como alvos instalações de petróleo e gás e outros alvos civis, e desde o início do conflito que Teerão reivindica controlo do estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio mundial de combustíveis fósseis, levando à escalada do preço dos combustíveis nos mercados internacionais.
Em 07 de abril, as duas partes acordaram um cessar-fogo de duas semanas, prolongado desde então.
Enquanto Washington realiza uma operação para retirar do Golfo navios retidos, a Guarda Revolucionária iraniana prometeu hoje uma "resposta firme" aos navios que tentem atravessar o Estreito de Ormuz por qualquer trajeto que não o definido.
Por sua vez, os Estados Unidos ameaçaram hoje retomar "grandes operações de combate" para obrigar o Irão a recuar se este decidisse retaliar contra a sua operação no estreito de Ormuz, após confrontos no mar e de novos ataques atribuídos a Teerão aos Emirados Árabes Unidos.
Novo chefe da Força Aérea israelita declara prontidão para retomar ataques
O novo chefe da Força Aérea de Israel avisou hoje que o seu país está pronto para retomar os ataques contra o Irão "se necessário", numa fase em que o conflito no Golfo atravessa um cessar-fogo precário.
"Estamos a acompanhar de perto o que está a acontecer no Irão e preparados para deslocar toda a Força Aérea para leste, se necessário", disse Omer Tischler, durante a sua tomada de posse, em substituição de Tomer Bar.
O novo chefe militar advertiu que a Força Aérea continuará a agir de forma "decisiva, poderosa e responsável em todo o lado, contra qualquer ameaça e qualquer inimigo", quando, além do Irão, também o conflito no Líbano está sujeito a um cessar-fogo, desde meados de abril, embora os confrontos com o grupo xiita Hezbollah prossigam.
"Neste momento, estamos a sobrevoar o Líbano, atacando o Hezbollah", acrescentou Tischler a propósito do grupo libanês apoiado pelo Irão e que não reconhece as negociações entre o Governo de Beirute e Israel.
No mesmo sentido, o comandante das forças armadas, Eyal Zamir, afirmou durante a cerimónia que os militares israelitas "mantêm um elevado nível de prontidão" caso o Irão retome os seus ataques contra Israel durante a atual escalada de tensão em pleno cessar-fogo.
"As nossas forças estão mobilizadas em todos os setores, combatendo e preparadas para entrar em ação imediatamente em qualquer cenário, de perto ou de longe", declarou Zamir.
Nascido em 1975 no norte de Israel, Omer Tischler, um antigo piloto de caças, já estava no topo da hierarquia da Força Aérea desde setembro de 2023, um mês antes dos ataques do grupo islamita palestiniano Hamas, que, em 07 de outubro daquele ano, desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e também o reacendimento do conflito no Líbano.
O conflito no enclave palestiniano encontra-se sob um cessar-fogo desde outubro do ano passado, mas as partes ainda não avançaram para a etapa seguinte de um acordo de paz.
Na cerimónia de hoje na Base Aérea de Tel Nof, o chefe da Força Aérea cessante pediu uma investigação externa aos ataques de 07 de outubro em solo israelita como condição essencial "para a confiança" entre os cidadãos, as Forças de Defesa de Israel e o país que os deve proteger.
"É evidente para todos que o quadro completo só ficará claro após o trabalho de uma comissão de investigação externa e objetiva", disse Bar no seu discurso de despedida, citado na imprensa israelita, sobre a criação de uma estrutura de inquérito independente, que tem vindo a ser recusada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
O conflito no Golfo encontra-se interrompido por um frágil cessar-fogo desde 08 de abril.
Apesar dos esforços da mediação do Paquistão, Washington e Teerão não voltaram à mesa de negociações desde a primeira e única ronda negocial em 21 de abril.
Após o fracasso das conversações, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou um bloqueio naval aos portos iranianos numa tentativa de asfixiar a economia da República Islâmica, que mantém por seu lado a navegação comercial sob ameaça militar no estratégico estreito de Ormuz.
Empresa francesa confirmou ataque a cargueiro no estreito de Ormuz
O navio porta-contentores "San Antonio", com pavilhão de Malta e propriedade da companhia francesa CMA CGM, foi atacado na terça-feira no estreito de Ormuz, confirmou hoje a empresa.
Na sequência do ataque, membros da tripulação ficaram feridos tendo sido retirados para receberam tratamento.
Em comunicado enviado à Agência France Presse, a empresa indicou ainda que o navio ficou danificado, mas os estragos não foram especificados.
A agência britânica de segurança marítima UKTMO tinha divulgado informações sobre o navio de carga atingido por um projétil na terça-feira.
A autoria do disparo que atingiu o cargueiro não foi apurada.
Os bombardeamentos aéreos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão começaram a 28 de dezembro.
Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas em vários países da região.
Apesar do cessar-fogo continua o bloqueio à navegação no estreito de Ormuz
Trump ameaça intensificar bombardeamentos se Teerão não chegar a acordo
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou hoje bombardear o Irão com "uma intensidade muito maior do que antes" caso os líderes iranianos não cheguem a um acordo com os Estados Unidos.
"Se o Irão aceitar ceder o que foi proposto, o que talvez seja uma suposição significativa, a já lendária operação 'Fúria Épica' será encerrada", escreveu Trump nas redes sociais.
"Se não houver acordo [para reabertura do estreito de Ormuz], o bombardeamento começará e, infelizmente, será a uma escala e com uma intensidade muito maiores do que antes", acrescentou.
Segundo Trump, a guerra com o Irão poderá terminar em breve e os envios de petróleo e gás natural poderão ser retomados se o Irão aceitar um alegado acordo que não explicou.
Donald Trump tem dito repetidamente que tem todo o tempo do mundo em relação ao Irão e também indicou recentemente ao Congresso que a operação ofensiva 'Fúria Épica' lançada a 28 de fevereiro, tinha terminado.
O Presidente norte-americano e a sua administração procuram uma saída para este conflito, que é impopular entre o público e está a aumentar os preços da gasolina e dos fertilizantes, entre outros materiais.
De acordo com uma notícia publicada hoje pelo portal de notícias Axios, "dois responsáveis norte-americanos e duas outras fontes familiarizadas com o assunto" relataram a existência de "um memorando de entendimento de uma página com o objetivo de pôr fim à guerra e estabelecer uma estrutura para negociações nucleares mais detalhadas".
Segundo o portal, os Estados Unidos estariam à espera de uma resposta de Teerão nas próximas 48 horas.
"O acordo prevê que o Irão se comprometa com uma moratória no enriquecimento nuclear, os Estados Unidos concordem em levantar as suas sanções e libertar milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados, e ambas as partes suspendam as restrições ao trânsito no estreito de Ormuz", avançou o portal de notícias.
Trump anunciou, na terça-feira à noite, o fim da operação 'Projeto Liberdade', que visava permitir a passagem pelo estreito de Ormuz de centenas de navios retidos no Golfo Pérsico.
A decisão abrupta foi justificada com a vontade de incentivar uma solução diplomática.
Desde o início da guerra travada pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irão - que já provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano - que Teerão bloqueou o estreito de Ormuz, abalando a economia global.
Os Estados Unidos e o Irão já estavam num processo de diálogo mediado pelo Paquistão, para tentar chegar a um acordo para o conflito, mas as divergências entre os dois países têm impedido uma segunda reunião em Islamabad, cidade que acolheu o primeiro encontro presencial após o acordo de cessar-fogo, prorrogado indefinidamente por Trump.
Médio Oriente: Saída de porta-aviões do Mediterrâneo reduz presença dos EUA
O porta-aviões norte-americano USS Gerald Ford deixou hoje o Mediterrâneo em direção ao Atlântico, reduzindo a presença militar dos EUA no Médio Oriente, segundo dados do site de rastreamento marítimo MarineTraffic.
Imagens divulgadas nas redes sociais por fotógrafos amadores mostram o navio, considerado o maior porta-aviões do mundo, a atravessar o estreito de Gibraltar rumo a oeste, com dezenas de caças estacionados no convés de voo.
O USS Gerald Ford deverá regressar ao porto de Norfolk, no estado norte-americano da Virgínia, após mais de 10 meses em operação, naquela que é apontada como a mais longa missão contínua de um porta-aviões norte-americano desde o final da Guerra Fria, segundo o Instituto Naval dos EUA.
De acordo com o jornal norte-americano The Washington Post, o regresso do navio representa uma redução significativa da capacidade militar dos EUA na região, numa altura em que persistem tensões entre Washington e Teerão e decorrem negociações consideradas frágeis entre as duas partes.
Apesar da retirada do USS Gerald Ford, cerca de 20 navios de guerra norte-americanos continuam em operação no Médio Oriente, incluindo os porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS George H.W. Bush, segundo um responsável norte-americano.
Antes de ser deslocado para o Médio Oriente, o USS Gerald Ford participou em operações norte-americanas nas Caraíbas, associadas à campanha dos EUA contra o tráfico de droga e ao reforço das sanções petrolíferas, tendo também apoiado operações relacionadas com a Venezuela.
O navio foi redirecionado para o Médio Oriente em fevereiro por decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, no contexto do agravamento das tensões com o Irão.
Durante a missão, o porta-aviões enfrentou vários problemas técnicos e operacionais.
No final de março, a embarcação militar realizou uma escala técnica na Croácia após um incêndio na lavandaria principal, incidente que provocou ferimentos em dois marinheiros.
A imprensa norte-americana relatou igualmente problemas recorrentes no sistema sanitário do navio, incluindo esgotos entupidos e longas filas para utilização das casas de banho, dificuldades associadas ao prolongamento excecional da missão.
Irão pronto para retomar campanha militar "ampla e poderosa"
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelitas, tenente-general Eyal Zamir, afirmou hoje que Israel está preparado para retomar uma campanha militar "ampla e poderosa" contra o Irão.
"Temos uma oportunidade histórica de mudar a realidade regional nesta operação em múltiplas frentes", assegurou Zamir durante uma visita a tropas israelitas destacadas perto de Jiam, no sul do Líbano, território ocupado pelo exército israelita desde março.
Israel continua a coordenar-se com os Estados Unidos e mantém "uma série adicional de alvos" preparados para serem atingidos em território iraniano, acrescentou.
"No Irão, temos uma série adicional de alvos prontos a serem atacados. Estamos em alerta máximo para retomar uma campanha ampla e poderosa que nos vai permitir consolidar os nossos ganhos e enfraquecer ainda mais o regime iraniano", disse Zamir.
As declarações surgiram no mesmo dia em que o exército israelita emitiu novas ordens de evacuação para 12 localidades do sul do Líbano, a norte do rio Litani, expandindo a área abrangida pelas operações militares israelitas.
Apesar do cessar-fogo acordado entre Israel e o Líbano, em vigor desde 16 de abril sem a participação do movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, Israel continuou a realizar ataques diários em território libanês e a demolir edifícios nas zonas sob ocupação militar.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão em 02 de março, ao disparar foguetes contra alvos israelitas para vingar a morte do ex-líder iraniano Ali Khamenei.
Jiam, onde Zamir discursou perante militares israelitas, situa-se a norte do rio Litani, fora da faixa fronteiriça onde anteriormente se concentravam as operações terrestres israelitas.
Fontes diplomáticas regionais disseram esperar que a atual trégua seja prolongada pelo menos até meados deste mês, embora ainda não tenham começado negociações formais para um acordo duradouro.
O Governo libanês tem recusado acolher qualquer encontro entre dirigentes dos dois países enquanto persistirem a ocupação de território libanês por forças israelitas e os bombardeamentos contínuos no sul do país.
As declarações de Zamir refletem a manutenção de um clima de elevada tensão regional, após meses de confrontos envolvendo Israel, Hezbollah e forças apoiadas pelo Irão em vários pontos do Médio Oriente.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançcaram uma ofensiva contra o Irão, que retaliou com ataques contra alvos israelitas, bases norte-americanas na região e infraestruturas civis e energéticas em países vizinhos. Teerão bloqueou também o estreito de Ormuz, via marítima estratégica, abalando a economia global.
"O presidente dos EUA cometeu um erro de cálculo ao atacar o Irão"
Um académico chinês afirmou hoje que a guerra dos Estados Unidos contra o Irão foi um "erro de cálculo" do Presidente norte-americano, que agora procura uma saída rápida do conflito.
"O Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump cometeu um erro de cálculo ao atacar o Irão. Trump pensava que seria como a intervenção na Venezuela, entrar e sair rapidamente, mas não foi isso que aconteceu", declarou o académico Lanxin Xiang numa entrevista num webinar à jornalista brasileira Cláudia Trevisan, para o Instituto Fernando Henrique Cardoso, de São Paulo, no Brasil.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão, que retaliou com ataques contra alvos israelitas, interesses norte-americanos na região e infraestruturas civis e energéticas em países vizinhos, bem como com o bloqueio do estreito de Ormuz, que interrompeu o trânsito comercial na região, nomeadamente de petróleo.
Um cessar-fogo foi estabelecido em 08 de abril, mas as negociações de um acordo de paz permanecem difíceis entre as partes.
Xiang, membro do 'think thank' norte-americano Stimson Center, referiu que Trump não quer permanecer na atual situação de impasse, de continuar a guerra, pois não quer quebrar a promessa eleitoral de evitar envolver-se em conflitos no estrangeiro.
"Penso que foi levado por Israel a entrar nesta guerra, pelos serviços de informações israelitas, ou pelos próprios membros do Pentágono", indicou o também professor emérito do Graduate Institute of International Development Studies de Genebra.
Para Xiang, Donald Trump não está a dominar nesta guerra com o Irão e, agora, "pretende sair desta situação de qualquer maneira, mas certamente vai dizer que venceu os iranianos para o público interno", nomeadamente para o movimento MAGA (Make America Great Again, Tornar a América grande de novo).
"A China está a espera, a observar, quer perceber como esta guerra vai afetar a posição do Presidente Trump nas eleições intercalares [em novembro], para renovar a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos, podendo ter de enfrentar um Presidente diferente, mais limitado pelo Congresso", disse.
De acordo com o académico, especialista nas relações da China com os EUA e Europa, Pequim pretende ter uma relação estável com o Governo norte-americano, não querendo um embate com uma potência como os Estados Unidos.
"A reação da China diante desta guerra está a desagradar ao Irão, um aliado, nomeadamente pela contenção na reação ao conflito", referiu, sublinhando que a China tem boas relações com os países árabes e mesmo com Israel. Assim, precisa ser ter uma atuação "equilibrada e cautelosa", disse.
Xiang considerou que a China e a Rússia vão ser os beneficiados com esta guerra dos Estados Unidos contra o Irão.
"Trump violou gravemente as leis internacionais ao atacar o Irão, quebrando regras estabelecidas pelas Nações Unidas, levando a uma certa 'limpeza da reputação' da Rússia em relação à guerra na Ucrânia", referiu.
Já em relação à questão de Taiwan, para o académico tornaram-se insignificantes os exercícios militares chineses em torno da ilha, diante das ações do Presidente norte-americano, nomeadamente na Venezuela e no Irão.
"Taiwan não é uma prioridade, agora, para a China. Se quisesse realmente invadir a ilha, já o teria feito e os Estados Unidos não teriam muito a fazer nesta situação. Penso que a China pretende conseguir uma reunificação pacífica", declarou.
Xiang disse acreditar que Trump, no primeiro mandato, teve a China como um alvo a abater, mas neste segundo período na Casa Branca, "está a tentar impor-se de maneira global", ignorando as ideologias políticas ou alianças anteriormente valiosas para os Estados Unidos.
"A China não gosta de como os Estados Unidos estão a abordar as relações com a América Latina, tentando diminuir a influência chinesa naqueles países. Penso que o reavivar da doutrina Monroe [expansionista] demonstra esta posição norte-americana", afirmou, sublinhando que o Governo chinês pode até chegar a um acordo com os EUA para manter as parcerias na América Latina.
Sobre as eleições presidenciais de outubro no Brasil, Xiang referiu que "os políticos de esquerda são sempre uma boa notícia para a China", sublinhando o bom relacionamento do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, com a China, individualmente, e com o bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Troca de tiros entre forças iranianas e "inimigo" no estreito de Ormuz
As forças armadas iranianas trocaram tiros com "o inimigo" norte-americano na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, noticiaram hoje os media estatais em Teerão.
Segundo a televisão estatal, as forças da República Islâmica abriram fogo em retaliação pelo "ataque militar dos Estados Unidos a um petroleiro iraniano".
A mesma fonte relatou anteriormente explosões na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz.
Após o ataque ao petroleiro, "as unidades inimigas no estreito foram alvejadas por mísseis iranianos e forçadas a fugir após sofrerem danos", informou o canal de notícias IRIB, citando um oficial militar não identificado.
As forças norte-americanas não se pronunciaram sobre as alegações dos media estatais com base em fontes anónimas.
A ilha de Qeshm é a maior ilha iraniana do Golfo Pérsico, com cerca de 150 mil habitantes, e alberga uma central de dessalinização de água.
Teerão mantém bloqueado o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de combustíveis fósseis, desde 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra a República Islâmica que já fez milhares de mortos, sobretudo no seu território e no do Líbano, e abalou a economia mundial.
Washington, por sua vez, mantém o bloqueio aos portos iranianos, imposto a 13 de abril, cinco dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo.
Teerão afirmou nos últimos dias estar a analisar as mais recentes propostas de Washington para o fim da guerra.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na quarta-feira que Washington tem tido negociações "muito boas" com Teerão e considerou "muito possível" um acordo para pôr fim à guerra .
As suas declarações surgiram horas depois de ter decidido suspender a operação de escolta de navios presos desde fevereiro no Golfo Pérsico devido ao bloqueio iraniano em Ormuz, de forma a permitir que ambos os lados chegassem a um entendimento que pusesse fim ao conflito.
Os Estados Unidos e vários países do golfo Pérsico instaram hoje o Conselho de Segurança da ONU a exigir ao Irão que "deixe de impedir" a navegação no Estreito de Ormuz.
Esta pressão surge numa altura em que um projeto de resolução nesse sentido corre o risco de ser vetado.
"Acreditamos em princípios fundamentais, como a liberdade de navegação para todos os países do mundo. É isso que está em causa aqui", declarou à imprensa o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, rodeado dos homólogos do Bahrein, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar e do Kuwait.
Há alguns dias, EUA e Bahrein apresentaram aos membros do Conselho de Segurança uma proposta de resolução estipulando que o Irão deve "cessar imediatamente todos os ataques e ameaças" a navios e "qualquer tentativa de impedir" a liberdade de navegação naquele estreito estratégico, incluindo "a colocação de minas" e a criação de "portagens ilegais".
O texto exige igualmente que Teerão divulgue o número e a localização das minas e as remova e permita, além disso, a definição pela ONU de um "corredor humanitário", em especial para a passagem de fertilizantes, para impedir uma fome global.
Em meados de março, o Conselho aprovou uma resolução muito firme contra Teerão, exigindo o "fim imediato" dos ataques aos vizinhos do golfo Pérsico e condenando o bloqueio do estreito de Ormuz.
A Rússia e a China abstiveram-se nessa ocasião, mas ambas vetaram depois, no início de abril, um texto que incentivava os Estados envolvidos a coordenarem esforços, "de natureza defensiva", para garantir a liberdade de navegação.
E, segundo fontes diplomáticas, a Rússia, aliada da República Islâmica, indicou na quarta-feira estar preparada para bloquear o novo texto.
O Irão criou hoje uma agência governamental para fiscalizar e tributar as embarcações que procuram passagem pelo Estreito de Ormuz, informou uma empresa de dados marítimos.
Teerão apreende petroleiro suspeito de "tentar afetar exportações"
As autoridades iranianas apreenderam um petroleiro que acusam de "tentar afetar as exportações de petróleo" na região do golfo Pérsico, sem avançarem, para já, pormenores sobre o local onde decorreu a operação.
Segundo informações divulgadas pela televisão pública iraniana IRIB, "comandos navais do Exército do Irão apreenderam o petroleiro 'Ocean Koi', que tentava afetar as exportações de petróleo e prejudicar os interesses da nação iraniana".
O incidente ocorre num contexto de tensões na região, após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, e horas depois de as Forças Armadas iranianas terem acusado os Estados Unidos de lançarem ataques contra dois navios iranianos e contra a ilha de Qeshm, após o que responderam com ataques a navios militares posicionados nas imediações do estreito de Ormuz.
Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que as suas forças "intercetaram ataques iranianos não provocados", aos quais a estrutura militar "respondeu com ataques em legítima defesa".
Apesar dos incidentes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, sublinhou que o cessar-fogo "continua em vigor".
Resposta do Irão à proposta dos EUA "é totalmente inaceitável", diz Trump
O Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou hoje a resposta do Irão à mais recente proposta dos Estados Unidos (EUA) para terminar a guerra no Médio Oriente, numa declaração feita na sua plataforma Truth Social.
"Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irão. Não gosto nada - É totalmente inaceitável [escrito em maiúsculas]! Agradeço a vossa atenção a este assunto", escreveu na sua rede social, sem adiantar mais pormenores sobre a recusa.
O chefe de Estado norte-americano voltou a recorrer à escrita em letras maiúsculas, como faz frequentemente para enfatizar a mensagem.
Noutra mensagem publicada duas horas antes, Trump acusou o Irão de se "rir dos EUA há décadas" e prometeu que tal situação não vai continuar por muito mais tempo.
Criticou ainda os anteriores presidentes norte-americanos democratas Barack Obama e Joe Biden por terem apoiado e beneficiado economicamente o Irão.
"O Irão tem vindo a enganar os Estados Unidos e o resto do mundo há 47 anos. Eles gozam com o nosso país, que agora recuperou a sua grandeza, mas não vão rir por muito mais tempo!", afirmou.
Na mensagem, Trump elencou os motivos: "Os iranianos têm-nos vindo a enganar, mantendo-nos à espera, matando o nosso povo com as suas bombas à beira da estrada, destruindo protestos e, recentemente, exterminando 42.000 manifestantes inocentes e desarmados, e rindo do nosso país", escreveu.
Referiu ainda que Barack Obama "não só foi benevolente para com os iranianos, como foi fantástico, passando efetivamente para o lado deles, abandonando Israel e todos os outros aliados, e dando ao Irão uma nova oportunidade de vida significativa e muito poderosa".
"Centenas de milhares de milhões de dólares e 1,7 mil milhões de dólares em dinheiro vivo, transportados de avião para Teerão, foram-lhes entregues numa bandeja de prata. Todos os bancos em Washington D.C., Virgínia e Maryland foram esvaziados --- era tanto dinheiro que, quando chegou, os bandidos iranianos não faziam ideia do que fazer com ele. Nunca tinham visto dinheiro assim, e nunca mais verão", afirmou ainda Donald Trump na mensagem.
A imprensa estatal iraniana avançou hoje que o Irão transmitiu a sua resposta à mais recente proposta dos Estados Unidos para terminar a guerra no Médio Oriente, através do Paquistão, que está a fazer a mediação.
Segundo uma fonte próxima das negociações citada pela agência IRNA, "de acordo com o plano proposto, a fase atual das negociações está focada exclusivamente na cessação das hostilidades na região".
A ISNA, uma outra agência de notícias do Irão, noticiou posteriormente que a resposta iraniana se centra no "fim da guerra e na segurança marítima".
"O eixo principal da resposta do Irão à proposta dos EUA é 'o fim da guerra e a segurança marítima' no Golfo Pérsico e no estreito de Ormuz", escreveu a ISNA na sua conta na plataforma Telegram.
As propostas norte-americanas eram uma resposta a uma proposta anterior, com 14 pontos, apresentada pelo Irão na semana passada.
Teerão tinha anteriormente insistido que as negociações deveriam focar-se, numa primeira fase, num acordo de paz e no fim do bloqueio no estreito de Ormuz, adiando qualquer negociação sobre o seu programa nuclear para uma fase posterior.
Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão está em vigor desde 08 de abril, depois de Estados Unidos e Israel terem iniciado ataques contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Teerão retaliou com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, e atacando vários países do Golfo Pérsico.
Irão e EUA realizaram uma reunião de alto nível em Islamabad a 11 e 12 de abril, mas não conseguiram chegar a um acordo para terminar o conflito e desde então não chegaram a um consenso para retomar as conversações. No entanto, ambos os lados continuaram a trocar mensagens e propostas.
Irão dará "resposta imediata" a intervenção francesa e britânica em Ormuz
O governo iraniano advertiu hoje que dará "resposta decisiva e imediata" com o exército se houver mobilização francesa e britânica no estreito de Ormuz, após o anúncio de Paris e Londres do envio de navios militares para a região.
"Recordamos que, tanto em tempo de guerra como em tempo de paz, apenas a República Islâmica do Irão pode garantir a segurança neste estreito e que não autorizará nenhum país a interferir nesta matéria", afirmou o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi.
Por seu turno, o presidente francês Emmanuel Macron já reagiu, garantindo hoje, numa conferência de imprensa em Nairobi, Quénia, que o seu país "nunca considerou" um "desdobramento" militar naval no estreito de Ormuz, mas sim uma missão de segurança "coordenada com o Irão".
O Reino Unido e a França estão na linha da frente para formar uma coligação internacional com o objetivo de garantir a segurança do estreito de Ormuz, assim que for concluído um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão.
O Irão impôs restrições à passagem de navios e petroleiros no estreito desde os primeiros dias da guerra com Israel e os EUA, que começou a 28 de fevereiro, fazendo com que os preços do petróleo bruto continuem a ultrapassar os 100 dólares.
Os Estados Unidos, por sua vez, responderam com um bloqueio naval aos portos e navios iranianos desde 13 de abril para pressionar o país a assinar um acordo de paz, que até agora não foi alcançado, enquanto a Casa Branca ainda aguarda a resposta do Irão à sua mais recente proposta.
Iraniano executado em Teerão por espionagem a favor dos EUA e Israel
As autoridades iranianas executaram hoje um homem condenado por espionagem a soldo dos serviços de informações de Israel e dos Estados Unidos, numa altura em aumentam as sentenças de morte no Irão por colaboração com países estrangeiros.
O cidadão iraniano, identificado como Irfan Shakurzadeh, foi enforcado na madrugada de hoje após ter sido confirmada a sentença.
Shakurzadeh foi condenado por suposta colaboração com a Mossad e a CIA, serviços de informações de Israel e dos Estados Unidos, respetivamente, segundo a emissora estatal iraniana IRIB.
A sentença referiu que o homem trabalhava para uma organização envolvida em atividades relacionadas com satélites, cargo que terá utilizado para tentar divulgar informações confidenciais.
As autoridades iranianas executaram várias pessoas nos últimos meses sob a acusação de colaboração com Israel e os Estados Unidos no contexto do conflito no Médio Oriente.
A guerra foi desencadeada pela campanha de bombardeamentos aéreos lançada pelos dois países contra o Irão a 28 de fevereiro.
Teerão exige fim da guerra na região e desbloqueio de bens iranianos
O Irão exigiu na resposta às propostas norte-americanas o fim da guerra em toda a região, incluindo no Líbano, e o desbloqueio dos bens iranianos congelados, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.
"A única coisa que exigimos foram os direitos legítimos do Irão", declarou o porta-voz do ministério, Esmail Baghai, durante a conferência de imprensa semanal em Teerão, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A declaração da diplomacia iraniana segue-se à posição do Presidente norte-americano, Donald Trump, que considerou como "totalmente inaceitável" a resposta de Teerão para acabar a guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
O Irão reivindica "o fim da guerra na região", o levantamento do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos e "a libertação dos bens pertencentes ao povo iraniano, que estão injustamente bloqueados há anos", disse Baghai.
Teerão executa estudante acusado de espiar para a Mossad e CIA
O Irão executou um homem por espionagem para os serviços secretos israelitas e norte-americanos, anunciou hoje a justiça iraniana, na mais recente de uma série de execuções desde o início da guerra desencadeada por Israel e Estados Unidos.
Erfan Shakourzadeh "foi enforcado por colaboração com os serviços de informações dos Estados Unidos e a Mossad", os serviços secretos externos israelitas, escreveu a Mizan, órgão de comunicação do poder judicial de Israel.
Segundo as organizações não-governamentais Hengaw e Iran Human Rights (IHR), ambas com sede na Noruega, o homem era estudante na prestigiada Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão.
Antes da execução, cuja data não foi avançada, redigiu uma mensagem na qual rejeitou as acusações.
"Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública", escreveu, citado por aquelas organizações.
O estudante de mestrado em engenharia aeroespacial foi "submetido a nove meses de severas torturas físicas e psicológicas em isolamento para extorquir confissões forçadas", pormenorizou a Hengaw.
Segundo a Mizan, Shakourzadeh foi acusado de transmitir "deliberadamente" informações classificadas à CIA e à Mossad enquanto trabalhava numa "das organizações científicas do país ativas no setor espacial".
As "confissões" do estudante deverão ser difundidas hoje à noite pela televisão estatal, indicou a Mizaqn.
A República Islâmica é há muito alvo de acusações por parte dos países ocidentais, que suspeitam que utilize o programa espacial para desenvolver capacidades em matéria de mísseis balísticos.
As detenções e execuções multiplicaram-se no Irão desde o ataque israelo-norte-americano de 28 de fevereiro, que desencadeou uma guerra regional.
A IHR contabilizou cerca de 30 desde essa data: cinco execuções por espionagem, 13 por alegadas ligações aos protestos de janeiro, uma relacionada com a vaga de contestação de 2022 e outras 10 por pertença a grupos de oposição proibidos.
Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional (AI), o Irão é o país que mais recorre à pena de morte depois da China.
As autoridades executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, indicaram recentemente as IHR e a organização não-governamental Ensemble Contre la Peine de Mort (ECPM - Juntos Contra a Pena de Morte).
Cidadão iraniano acusado de terrorismo foi executado em Teerão
As autoridades iranianas anunciaram hoje a execução de um homem condenado por rebelião e de envolvimento num grupo considerado terrorista.
O cidadão iraniano, identificado como Abdoljalil Shahbakhsh, foi acusado de ter sido "membro veterano" do grupo terrorista Ansar al-Furqan.
De acordo com o portal oficial Mizan, Shahbakhsh tinha sido condenado por rebelião armada após um ataque a uma esquadra de polícia e por pertencer ao Ansar al-Furqan, um grupo sunita ativo na província de Sistão-Baluchistão, no sudeste do Irão.
Segundo o mesmo portal, Abdoljalil Shahbakhsh participou ativamente no movimento de protesto ocorrido no Irão em 2022 e 2023 após a morte da jovem Mahsa Amini, que foi detida em Teerão por alegadamente ter violado o código de vestuário islâmico.
De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais frequentemente aplica a pena de morte a seguir à República Popular da China.
As autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, o número mais elevado desde 1989, de acordo com relatórios recentes da organização não-governamental Iran Human Rights e da organização Together Against the Death Penalty (ECPM), sediadas na Noruega.
As execuções têm vindo a aumentar no país, particularmente em casos de espionagem ou ameaças à segurança nacional, desde o início da guerra desencadeada pela ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel, a 28 de fevereiro.
Na segunda-feira, um homem condenado por espionagem a soldo de Israel e dos Estados Unidos foi enforcado em Teerão.
Líder do Hezbollah recusa desarmamento e promete "inferno" a Israel
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou hoje que o Líbano discuta o desarmamento do grupo libanês pró-iraniano com Israel e ameaçou transformar o conflito com o exército israelita num inferno.
"As armas e a Resistência não dizem respeito a ninguém fora do Líbano (...) é uma questão interna libanesa que não faz parte das negociações com o inimigo", disse Qassem numa mensagem dirigida aos combatentes do Hezbollah.
"Não nos renderemos e transformaremos a batalha num inferno para Israel", acrescentou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A declaração surge numa altura em que o Líbano e Israel deverão realizar uma nova ronda de negociações em Washington, na próxima quinta-feira.
Teerão processa EUA em tribunal de Haia por "agressão militar"
O Irão apresentou hoje uma ação judicial junto do Tribunal Arbitral Irão-Estados Unidos, em Haia, na qual acusou Washington de "agressão militar", atacar instalações nucleares e violar os Acordos de Argel de 1981.
Teerão alegou que os Estados Unidos violaram "as obrigações internacionais" durante o conflito de 12 dias, de acordo com a televisão estatal iraniana IRIB e agência de notícias iraniana Tasnim.
Entre 13 e 24 de junho passado, Israel lançou múltiplos ataques contra dezenas de alvos no Irão para impedir a expansão do programa nuclear iraniano. Os EUA participaram também nesta ofensiva.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram nova ofensiva contra o Irão para pôr fim ao programa nuclear e de enriquecimento de urânio, bem como à produção de mísseis de longo alcance.
Atualmente, este conflito está sob um cessar-fogo considerado frágil pelas autoridades iranianas.
Na ação apresentada no tribunal arbitral com sede em Haia, o Teerão acusou igualmente Washington de impor sanções económicas e de ameaçar recorrer à força contra o Irão.
O Tribunal Arbitral Irão-Estados Unidos foi criado em 1981 ao abrigo dos Acordos de Argel, negociados pela Argélia para resolver a crise dos reféns norte-americanos em Teerão, iniciada na sequência da revolução iraniana de 1979.
O primeiro parágrafo desses acordos estabelece que os Estados Unidos comprometeram-se a "não interferir, direta ou indiretamente, política ou militarmente, nos assuntos internos do Irão".
As autoridades iranianas argumentaram que a ofensiva militar norte-americana e israelita constitui uma violação direta desse compromisso.
Teerão pediu agora ao tribunal que "responsabilize os Estados Unidos pela violação dos acordos", ordene o fim imediato de qualquer interferência nos assuntos internos iranianos e exija garantias de não repetição de atos semelhantes.
O Irão solicitou ainda uma indemnização integral pelos danos causados durante a ofensiva.
Washington ainda não reagiu oficialmente à ação judicial.
Irão afasta acordo após Trump rejeitar proposta: "Não há alternativa"
O Governo iraniano rejeitou hoje a possibilidade de alterar as suas propostas para um fim duradouro da guerra, que o Presidente norte-americano Donald Trump considerou inúteis, mantendo-se assim o impasse diplomático no Médio Oriente.
"Não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, tal como estabelecidos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem seria infrutífera", sublinhou o principal negociador da República Islâmica, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X, mais de um mês após o estabelecimento de uma trégua precária.
O também presidente do Parlamento desafiou os negociadores norte-americanos, afirmando que "quanto mais protelarem, mais os contribuintes norte-americanos pagarão", numa altura em que os preços do petróleo se mantêm em níveis persistentemente elevados.
As declarações de Ghalibaf soam como uma resposta a Donald Trump, que no dia anterior tinha rejeitado as propostas iranianas e comparado o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril a um paciente "em estado crítico", noticiou a agência France-Presse (AFP).
O conteúdo da proposta inicial norte-americana não foi divulgado, mas segundo alguns meios de comunicação social, o documento contém um memorando de entendimento para pôr fim aos combates, que já causaram milhares de mortos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e para estabelecer uma estrutura para as negociações sobre a questão nuclear iraniana.
Na sua resposta, o Irão exige o fim imediato das hostilidades na região, incluindo no Líbano, onde os ataques israelitas e do Hezbollah pró-iraniano continuam apesar de mais um cessar-fogo.
Teerão exige ainda o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos seus portos e o desbloqueio dos ativos iranianos detidos no estrangeiro, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Do lado norte-americano, Donald Trump acenou com a ameaça de retomar a sua operação para impedir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irão.
A quase paralisia do estreito de Ormuz, estratégico para o comércio global de hidrocarbonetos, impulsionou hoje os preços do petróleo novamente, que atingiram quase 108 dólares por barril de petróleo Brent por volta das 20h00 (hora de Lisboa).
Cidadão iraniano enforcado no Irão por alegadas ligações a Israel
Um homem foi enforcado hoje no Irão depois de ter sido condenado por ligações aos serviços de informações israelitas, anunciou agência de notícias oficial do poder judicial, Mizan.
Tratou-se da mais recente execução desde o início da guerra no Médio Oriente, que começou com um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de Fevereiro.
Desde o início da guerra, as detenções e execuções têm aumentado no Irão.
"Ehsan Afreshteh, espião treinado pelo Mossad no Nepal vendeu informações confidenciais a Israel, foi executado", informou a Mizan.
De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais frequentemente aplica a pena de morte depois da República Popular da China.
Na segunda-feira, o Irão anunciou a execução de um estudante de engenharia aeroespacial suspeito de espionagem para os serviços de informação israelitas e norte-americanos.
Na terça-feira um cidadão iraniano foi executado por envolvimento em atos considerados terroristas pelo regime de Teerão.
Irão ameaça EUA com "derrotas" se não aceitarem proposta de paz
O Governo iraniano ameaçou hoje que os Estados Unidos "devem esperar uma repetição das suas derrotas passadas no campo de batalha" se não aceitarem a proposta de paz apresentada por Teerão.
"Se o inimigo não ceder às justas exigências do Irão através dos canais diplomáticos, deve esperar uma repetição das suas derrotas passadas no campo de batalha", disse o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, sublinhando que "se estes direitos razoáveis e definitivos não forem alcançados, o inimigo não conseguirá livrar-se do pântano em que está preso".
Talaei-Nik enfatizou que qualquer agressão futura será respondida com uma resposta "decisiva e final", afirmando ainda que "a retirada repetida de navios norte-americanos da zona de conflito demonstra a determinação e a capacidade das Forças Armadas iranianas", segundo a televisão iraniana Press TV.
As declarações de Talaei-Nik surgiram depois de o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, ter declarado na terça-feira que o curso de ação "mais racional" e benéfico para Teerão é "completar a vitória no campo de batalha" através de um processo de negociação com Washington, quando as conversações entre as partes estão paralisadas.
Por sua vez, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, disse que "não há alternativa" para o fim da guerra a não ser que os Estados Unidos aceitem a proposta apresentada por Teerão, antes de alertar que qualquer outra opção "só levará a um fracasso após o outro", após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter classificado o documento apresentado por Teerão como "totalmente inaceitável".
Os Estados Unidos e o Irão estão num processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as divergências entre as suas posições tenham impedido, até ao momento, um segundo encontro em Islamabad, cidade que acolheu a primeira reunião presencial após o acordo de cessar-fogo assinado em 08 de abril, posteriormente prorrogado indefinidamente por Trump.
O bloqueio do Estreito de Ormuz e a recente incursão e apreensão de navios iranianos pelos EUA na região estão entre os motivos alegados por Teerão para não comparecer às negociações em Islamabad, uma vez que considera estas ações uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.
Apesar disso, ambos os países mantêm contacto através da mediação de Islamabad.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão em 28 de fevereiro, levando os iranianos a retaliarem contra países do Golfo que têm interesses norte-americanos, estende a guerra no Médio Oriente.
Irão: Teerão autoriza passagem de navios chineses no estreito de Ormuz
As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou hoje a agência noticiosa iraniana Tasnim.
"Na sequência de uma decisão da República Islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o estreito de Ormuz no âmbito de protocolos de trânsito geridos pelo Irão", informou a Tasnim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A agência iraniana Fars divulgou com informações semelhantes, enquanto a televisão estatal do Irão referiu que "mais de 30 navios" receberam autorização para cruzar o estreito, sem especificar se pertencem exclusivamente à China.
A República Popular da China é o principal país importador do petróleo iraniano.
As notícias foram divulgadas no dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou encontros em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito de uma visita oficial que está a realizar à China.
Os dois líderes falaram hoje sobre a situação no estreito de Ormuz, de acordo com a Casa Branca, a presidência norte-americana.
Trump exige ao Irão o fim do bloqueio do estreito de Ormuz como uma das condições para cessar a guerra contra o regime da República Islâmica.
O Irão bloqueou o estreito por onde passa habitualmente 20% do comércio internacional de produtos petrolíferos em reação à ofensiva militar de que é alvo desde 28 de fevereiro por parte dos Estados Unidos e Israel.
O bloqueio iraniano à única ligação do golfo Pérsico com o mar aberto tem perturbado os mercados globais e conferido a Teerão uma vantagem estratégica, segundo a AFP.
Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos navios e portos iranianos, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 8 de abril.
A trégua foi mediada pelo Paquistão para permitir negociações entre Teerão e Washington, que foram infrutíferas até agora.
A guerra causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e afeta quase todos os países da região.
Teerão deixa passar mais navios pelo estreito de Ormuz
O Irão autorizou a passagem de mais navios pelo estreito de Ormuz, que estava quase totalmente paralisado por Teerão desde o início da guerra no Médio Oriente, anunciou hoje a televisão estatal iraniana.
A estação televisiva já tinha relatado na quinta-feira que mais de 30 navios foram autorizados a transitar pelo estreito nas últimas 24 horas, enquanto a agência de notícias Tasnim indicava a autorização de passagem para "vários navios chineses".
"Mais navios podem agora passar pelo estreito de Ormuz com a coordenação das forças navais do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica", afirmou um jornalista da televisão estatal a partir da cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país.
A medida "indica que muitos países aceitaram os novos protocolos jurídicos que o Irão e as forças navais dos Guardas da Revolução estabeleceram no estreito de Ormuz", acrescentou o repórter, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O parlamento iraniano tem estado a analisar propostas para reforçar o controlo sobre a passagem marítima estratégica do golfo Pérsico.
O vice-presidente do parlamento, Hamidreza Hajibabaei, anunciou em 23 de abril que Teerão já tinha recebido as primeiras receitas provenientes das taxas de passagem no estreito.
Por esta rota marítima transita habitualmente um quinto dos hidrocarbonetos consumidos a nível mundial.
O controlo do estreito pelo Irão continua a ser um dos principais pontos de discórdia nas negociações com os Estados Unidos para pôr fim à guerra.
Os contactos diplomáticos não conseguiram, até ao momento, tornar duradouro o frágil cessar-fogo em vigor desde 08 de abril.
Em resposta ao bloqueio quase total imposto pelo Irão na região, os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram conjuntamente o Irão, que respondeu com ataques aos países vizinhos e o bloqueio do estreito.
O conflito causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano.
República Islâmica assume mais de 6.500 detenções por espionagem
As autoridades iranianas divulgaram hoje a prisão de 6.500 supostos "espiões" desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel, como medidas de segurança reforçadas face a grupos oposicionistas e participantes nos protestos de janeiro.
"Desde o início da guerra até agora, mais de 6.500 traidores da pátria e espiões foram presos", anunciou o comandante da polícia nacional do Irão, o general Ahmad Reza Radan, segundo a agência de notícias ISNA.
Radan afirmou que entre os presos estão pessoas acusadas de espionagem, colaboração com grupos armados e participação em atividades consideradas desestabilizadoras do regime conservador xiita dos 'ayatollah'.
Segundo a mesma fonte, 567 das pessoas detidas sob tais suspeitas estão ligadas a "casos especiais" relacionados a grupos armados de oposição e organizações que atuam contra a República Islâmica.
Radan acrescentou que prosseguem operações para identificar e prender suspeitos de serem "soldados inimigos" em conexão com os protestos antigovernamentais de janeiro, que exigiam o fim da República Islâmica e foram brutalmente reprimidos, matando mais de sete mil pessoas, segundo organizações internacionais.
As autoridades iranianas reconheceram a morte de 3.117 pessoas, mas acusaram Israel e os Estados Unidos de orquestrar o que chamaram de distúrbios.
Desde o início da guerra com Israel e os Estados Unidos, em 28 de fevereiro, as autoridades iranianas endureceram as prisões em massa de suspeitos de serem membros da oposição ou espiões de "inimigos" e executou 30 pessoas.
Irão? "É bom que se apressem ou não vai restar nada deles", ameaça Trump
Donald Trump voltou a ameaçar o Irão, afirmando que, se o país não se apressar a negociar um acordo de paz, não restará "nada". A declaração foi feita pouco depois de o presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro de Israel terminarem uma chamada telefónica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irão, afirmando que, se o país não se apressar a negociar um acordo de paz, não irá "restar nada".
"Para o Irão, o tempo está a esgotar-se, e é melhor que se apressem, rapidamente, ou não vai restar nada deles. O tempo é essencial!", afirmou Donald Trump, na Truth Social, este domingo.
A publicação acontece pouco depois de o presidente norte-americano ter tido uma conversa de cerca de meia hora com o primeiro-ministro israelita. De acordo com o The Times of Israel, que confirmou a informação com o gabinete de Benjamin Netanyahu, os dois líderes terão falado sobre a possibilidade de retomar a ofensiva contra o Irão.
Na mesma chamada, Trump terá também informado Netanyahu sobre a sua viagem à China, da qual regressou recentemente.
Poucas horas antes, Trump partilhou na Truth Social uma imagem sua a comandar um navio, onde também se podia ler, "Foi a calma antes da Tempestade", possivelmente referindo-se ao cessar-fogo com o Irão.
Ontem, recorde-se, o The New York Times já tinha avançado que Washington e Telavive estavam a preparar-se para retomar os ataques contra o Irão "já na próxima semana", citando dois altos representantes do Médio Oriente, sob condição de anonimato. A informação está também a ser veiculada pelo canal israelita Channel 12, que reporta que Telavive está a preparar-se para retomar a guerra contra o Irão.
Cessar-fogo com Irão em vigor desde 8 de abril, mas não há acordo
Os Estados Unidos, Israel e o Irão acordaram um cessar-fogo no início de abril, que entrou em vigor no dia 8 desse mesmo mês após, em fevereiro, Washington e Telavive terem lançado um ataque conjunto contra Teerão que matou vários altos representantes iranianos, inclusive o então líder supremo.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo que os Estados Unidos e o Irão negoceiam um acordo de paz para pôr fim à guerra, mas ainda sem sucesso.
Segundo a agência estatal iraniana, a última proposta do Irão tinha rejeitado qualquer negociação sobre o programa nuclear e exigido o fim da guerra em todas as frentes. Além disso, determinava ainda o levantamento das sanções impostas contra o país, a libertação dos fundos iranianos bloqueados e ainda compensações dos Estados Unidos e de Israel pelos danos causados pela guerra.
Trump reagiu ao documento, apelidando-o de "lixo" e "inaceitável" e os Estados Unidos terão respondido com a própria proposta que, segundo a agência Fars, exige ao Irão a entrega do urânio altamente enriquecido e a limitação do programa nuclear a uma única instalação ativa como condições para avançar as negociações de paz. Washington pede também a renúncia a compensações por danos de guerra.