Peniche: parque mundial de energia das ondas em 2009

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Peniche: parque mundial de energia das ondas em 2009

A portuguesa Eneólica está a desenvolver ao largo da praia da Almagreira, niche, um projecto-piloto de produção de energia a partir das ondas, usando tecnologia pioneira em todo o mundo que está a ser instalada no fundo do mar.
O objectivo é a partir do final de 2009 criar, em Peniche, um grande parque mundial de energia das ondas e entrar numa fase de exploração comercial do projecto com uma potência instalada entre os 50 e os 100 megawatts (MW).

Nessa altura, o investimento ascenderá a 100 milhões de euros e colocará Portugal na linha da frente no segmento da produção mundial de energia a partir do movimento das ondas.

«O mar em Portugal tem as melhores condições para o aproveitamento da energia das ondas, dada a ondulação mais ou menos forte e com alguma regularidade», reconheceu à agência Lusa o administrador da Eneólica, Agostinho Ribeiro, considerando que, no contexto da costa portuguesa, Peniche aparece como sendo «a melhor zona», por todas estas características da «ondulação de fundo».

«Se o projecto vier a demonstrar toda a sua viabilidade técnica e financeira, em finais de 2009 estamos em condições de passarmos a projecto comercial», adiantou, revelando que o objectivo da empresa passa também por «construir um cluster industrial em Peniche», para a montagem e manutenção de toda a tecnologia.

Agora, os equipamentos são transportados da Finlândia por arrastões até ao Porto de Peniche e montados nos Estaleiros Navais da cidade, para daí serem levados para a Almagreira, onde em Abril de 2007 foi instalada a primeira e única máquina «Wave Roller», a 20 metros de profundidade e a 500 milhas da praia.

A tecnologia foi criada pela finlandesa AW Energy e, além de Peniche, está a ser testada pelo Centro Europeu de Energia Marítima (Orkney), ao largo do mar da Escócia.

«É a única empresa [em todo o mundo] com tecnologia para o aproveitamento da energia das ondas no fundo do mar», revelou Agostinho Ribeiro, explicando que, pelo contrário, os mecanismos até aqui existentes no segmento da energia das ondas «aproveitam energia com tecnologias flutuantes à superfície» e revelam-se pouco eficazes em situações de tempestade porque «vêm parar à terra».

Sabendo à partida que «o fundo do mar é mais tranquilo», a AW Energy desenvolveu este conceito inovador em todo o mundo, cujo projecto que está agora pela primeira vez a ser testado «não é para aproveitar as ondas à superfície, mas as de fundo, e conciliar as características do fundo do mar, a movimentação das areias e as características da ondulação».

Através de pás flutuantes que acompanham o movimento das águas, a tecnologia é capaz de captar energia para depois ser transformada em electricidade, como demonstra o protótipo com uma potência de 15 kilowatts (KW) que se encontra em Peniche.

«Até agora a demonstração está a resultar, o projecto está já a produzir energia» que não está ainda a ser debitada para a rede eléctrica.

«Já estamos a estender o cabo para terra e queremos estar a injectar energia no prazo de dois meses», adiantou o responsável, estimando que o investimento é de 50 mil euros.

Todos os movimentos debaixo de água e possíveis avarias nos equipamentos são captados por três câmaras de videovigilância, cujas imagens podem ser visualizadas através da sala de controlo de uma estação que funciona junto à praia da Almagreira.

É a partir daí que, no local ou à distância através da internet, uma equipa composta por seis técnicos (portugueses e finlandeses) consegue monitorizar dados- como potência e energia geradas em tempo real- que vão sendo processados em dois computadores.

Dentro de um mês, se as condições do mar assim o permitirem, um segundo equipamento será colocado no fundo do mar.

Até ao final deste ano, a Eneólica pretende instalar outros dez, de modo a ficar com uma capacidade de produção de 100 KW, que poderão fornecer electricidade a 20 habitações.

Com um investimento entre 3 a 4,5 milhões de euros, «quatro vezes maior» ao das eólicas, o projecto-piloto deverá estar concluído em finais de 2009 com a instalação de dezenas de máquinas que permitirão ter uma potência total instalada de 1 MW, suficientes para produzir até 2 GW/ano que, por sua vez, serão capazes de «abastecer um aglomerado com cerca de dois mil habitantes».

A rentabilidade financeira associada à produção é ainda imprevisível, tendo em conta que os projectos existentes de energia das ondas estão todos numa fase embrionária de demonstração.

A Eneólica concorreu no início deste ano ao concurso para instalação de um projecto de aproveitamento de energia das ondas na zona-piloto entre São Pedro de Moel e a Póvoa do Varzim, delineada pelo Governo.

A Eneólica opera na área das energias renováveis dentro do Grupo Lena, integrando a sub-holding Lena Ambiente e Energia, que movimenta por ano 90 milhões de euros, representando 18 por cento do volume de negócios do consórcio português.

Diário Digital / Lusa
 
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