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Roter.Teufel

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Crescente contestação em Itália à presença de agentes norte-americanos do ICE nos Jogos Olímpicos

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Circulam petições no país contra a presença da polícia de imigração dos EUA, numa altura de contestação crescente à sua atuação violenta no terreno.

O envio de agentes federais norte-americanos numa missão de apoio aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, confirmado esta terça-feira, está a desencadear contestação em Itália, circulando já petições contra a presença no país.

A presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) como missão de apoio nos Jogos Olímpicos foi já confirmada pelo próprio organismo, o que mereceu várias reações de repúdio.

As operações violentas de agentes do ICE nos Estados Unidos estão a suscitar choque um pouco por todo o mundo, sobretudo após dois cidadãos norte-americanos, Renee Good e Alex Pretti, ambos de 37 anos, terem sido abatidos a tiro nas últimas semanas em Minneapolis, estado do Minnesota.

Uma das primeiras figuras a expressar indignação foi o presidente da câmara de Milão, Giuseppe Sala (apoiado pela coligação de centro-esquerda), que se manifestou inequivocamente contra a presença na cidade de "uma milícia que mata".

"É uma milícia que entra nas casas das pessoas, é claro que não são bem-vindos a Milão. E pergunto-me: será que não podemos, por uma vez, dizer que 'não' a[o Presidente norte-americano Donald] Trump? Os agentes da ICE não devem vir para Itália porque não estão alinhados com a nossa forma democrática de garantir a segurança", afirmou.

Por seu lado, o principal partido da oposição, o Partido Democrático (PD, centro-esquerda), solicitou já ao governo de direita e extrema-direita, liderado por Giorgia Meloni, que esclareça, no Senado, "com base em quais acordos se justifica a presença do ICE", que, a confirmar-se, "seria uma provocação", tendo o deputado Alessandro Zan exortado a primeira-ministra a "parar de receber ordens de Trump".

Dois outros partidos da oposição, Azione (centro) e Aliança Verde e Esquerda (AVS, na sigla italiana), promoveram petições contra a presença de elementos do ICE em Itália, que, em poucas horas, já reuniram dezenas de milhares de assinaturas.

"Os 'cowboys' da ICE não podem pôr os pés em Itália pela simples razão de que, no nosso país, vigora o Estado de direito e queremos mantê-lo", declarou a deputada Daniela Ruffino, do partido Azione.

O co-líder da AVS, Nicola Fratoianni, que promove uma petição intitulada "Milícias de Trump fora de Itália", acusou o governo de "fingir que nada aconteceu, dando apenas esclarecimentos embaraçosos de praxe, que são clamorosamente desmentidos pelos norte-americanos".
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"As milícias de Trump não devem pôr os pés em Itália. Não podemos permitir que assassinos armados até aos dentes ajam em território italiano", afirmou Fratoianni.

As autoridades italianas negaram inicialmente a presença de agentes do ICE, tentando depois minimizar o papel do corpo de polícia dos Estados Unidos, sugerindo que apenas garantem a segurança da delegação norte-americana, já que o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, vão estar presentes na próxima semana, a 06 de fevereiro, em Milão, na cerimónia de abertura dos Jogos de Inverno, que se prolongam até 22 de fevereiro.

A primeira-ministra, Giorgia Meloni, líder do partido pós-fascista Irmãos de Itália e uma das líderes europeias mais próximas de Trump, ainda não comentou a polémica em torno da eventual presença do ICE em Itália, mas figuras do Força Itália (centro-direita), parceiro de coligação governamental, como o deputado Massimiliano Salini, já afirmaram que "não há necessidade deles".

O próprio líder do Força Itália e vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia, Antonio Tajani, comentara na segunda-feira, ainda antes de ter sido noticiada a presença nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina de elementos do ICE, que esta força havia "cometido abusos" na repressão de manifestações em Minneapolis.

"Há uma grande diferença entre prender uma pessoa armada e matá-la. Acho que a Casa Branca também está ciente disso", comentou.

Entretanto, Tajani tentou baixar as tensões e adiantou que o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, vai reunir-se esta tarde com o embaixador dos Estados Unidos em Roma para esclarecer a participação dos agentes do ICE nos Jogos de Inverno.

"Esclareçamos: não é que venham para manter a ordem pública nas ruas. Vêm para colaborar nas salas operacionais", disse Tajani à imprensa italiana.

Correio da Manhã
 
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