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Charles "Sonny" Burton, de 75 anos, foi condenado a pena de morte sem ter cometido o crime. E, agora, a sentença está prestes a ser levada a cabo... já esta quinta-feira.
Tudo aconteceu em 1991, quando Burton e cinco outros homens assaltaram uma loja AutoZone em Talladega, no estado de Alabama, nos Estados Unidos, que resultou na morte de um cliente, Doug Battle.
Burton admite que entrou na loja, com uma arma em riste, que tirou o dinheiro de um cofre nas traseiras do estabelecimento… mas que nada teve que ver com o homicídio. Cometido o roubo, saiu da loja e ficou à espera do carro para a fuga.
Lá dentro, contudo, o assalto continuava. Derrick DeBruce, um dos cúmplices de Burton, disparou contra as costas de Battle, de 34 anos, matando-o.
"DeBruce bateu em Battle, atirando-o ao chão, e depois atingiu-o mortalmente nas costas. Burton já tinha saído da loja quando o disparo ocorreu", pode ler-se na resposta do Supremo Tribunal dos Estados Unidos a um pedido de Burton para o adiamento da sua execução.
Mas mesmo com o reconhecimento de que Burton estava inocente do crime de homicídio, o seu destino não mudou. Foi condenado pelo assassinato e sentenciado à pena de morte. Já com DeBruce, o homem que, de facto, cometeu o crime, a história não foi a mesma.
Inicialmente, foi condenado, também, à pena de morte, mas a sua sentença acabou por ser reduzida a prisão perpétua depois de um tribunal determinar que o seu advogado não o representou de forma eficaz durante a fase de determinação da pena do seu julgamento.
Enquanto isso, a sentença de Burton permanece imutável.
"Eu não sabia que um homicídio ia acontecer", garantiu o recluso à NBC News. "Eu tê-lo-ia impedido. Eu não assisti ninguém. Eu não ajudei ninguém. Eu não disse a ninguém para alvejar outra pessoa", acrescentou. "Eu não devia morrer por algo que não fiz."
A sentença de Burton é permitida sob uma doutrina legal que permite que os procuradores possam tratar qualquer pessoa envolvida em certos crimes, como roubos ou furtos, como igualmente responsáveis se um homícidio ocorrer nessa altura - mesmo que o acusado não tenha sido o homicida.
O caso de Burton tem gerado bastante controvérsia, especialmente depois da filha de Doug Battle, que tinha apenas 9 anos quando o pai morreu, ter vindo a público em defesa do recluso.
"O sr. Burton permanece no corredor da morte não porque a claridade moral o exige, mas porque regras processuais bloquearam os tribunais de corrigir os seus erros do passado", escreveu Tori Battle, apelando ao governador de Alabama que retifique a situação. "Quando a vida de um homem gira à volta de barreiras técnicas e não da verdade, isso não é justiça, mas uma falha do sistema que em nada honra a memória do meu pai", atirou.
O estado do Alabama, contudo, defende que a pena de Burton é justificada: "A sentença de morte dele já vem tarde."
Agora, Burton tem apenas duas hipóteses: um indulto por parte do governadora de Alabama ou uma suspensão da execução, ordenada pelo Supremo Tribunal.
Clemência, no entanto, é extremamente rara. O Centro de Informações sobre a Pena de Morte estima que menos de 1% dos reclusos no corredor da morte tenham tido as sentenças alteradas desde 1972. Mesmo da parte da governadora, o indulto parece improvável. O mês passado assinou a ordem de execução de Burton e chegou mesmo a afirmar que "não tem planos para conceder clemência neste caso".
Mesmo assim, Burton diz que "nunca vai perder a esperança": "Mesmo quando tiver sentado na cadeira [com a máscara de gás] atada à minha cabeça", afirmou. "Eu quero que as pessoas me ouçam e saibam que eu não matei ninguém. Estas são as minhas últimas palavras."
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