Khamenei concede indultos a mais de 2.000 reclusos
O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, concedeu hoje indultos e reduções de pena a mais de 2.000 reclusos, excluindo qualquer pessoa envolvida nos recentes protestos antigovernamentais, disseram as autoridades judiciais.
O anúncio foi feito na véspera do aniversário da Revolução Islâmica, data em que tradicionalmente são adotadas medidas de clemência no país.
Khamenei atendeu ao pedido do chefe da magistratura para indultar, reduzir ou comutar as penas de 2.108 condenados, de acordo com o órgão de comunicação do poder judicial iraniano Mizan Online.
A lista de beneficiários não inclui reclusos "processados ou condenados após os recentes distúrbios", esclareceu o vice-chefe do poder judicial, Ali Mozaffari, citado pelo mesmo meio.
Os protestos em massa começaram a 28 de dezembro, inicialmente contra o aumento do custo de vida, e evoluíram para um movimento mais amplo de contestação ao regime.
As autoridades iranianas reconheceram a morte de mais de três mil pessoas, afirmando que a maioria eram membros das forças de segurança ou civis mortos por alegados terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel.
A organização não-governamental norte-americana Human Rights Activists News Agency contabilizou 6.964 mortos, na maioria manifestantes, e investiga ainda outros 11.730 casos.
Irão: Governo avisa que estudantes têm direito ao protesto mas há limites
"Naturalmente têm o direito de protestar, mas existem linhas vermelhas que devem ser protegidas e não ultrapassadas, mesmo no calor da raiva", disse a porta-voz Fatemeh Mohajerani.
A responsável falava numa conferência de imprensa na qual citou como exemplos de "linhas vermelhas" os "locais sagrados e a bandeira" da República Islâmica.
Protestos estudantis eclodiram no fim de semana em nove universidades iranianas, com os manifestantes a queimarem bandeiras do país e a apelarem à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
As principais mobilizações ocorreram em Teerão, onde centenas de estudantes protestaram contra o Governo em pelo menos sete centros de estudos, queimando a bandeira da República Islâmica, um gesto incomum partilhado nas redes sociais por organizações não-governamentais (ONG) e meios de comunicação da oposição.
A queima de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel é típica das mobilizações estatais iranianas e agora os estudantes universitários estão a protestar da mesma forma, mas em contestação ao regime, queimando a bandeira do país persa.
No sábado e no domingo eclodiram protestos nas universidades de Amir Kabir, Sharif e Teerão, e hoje juntaram-se também as universidades de Ciência e Tecnologia, a feminina de Alzahra, Jaye Nasir e a de Ciência e Cultura, todas na capital.
Também se registaram protestos na Universidade Ferdosi de Mashad (nordeste) e na Universidade Tecnológica de Isfahan (centro).
Em todos esses estabelecimentos de ensino foram entoados gritos de ordem como: "Nem Gaza, nem Líbano, a minha vida pelo Irão", "Lutamos, morremos, recuperaremos o Irão" ou "Yavid Sah" (vida ao xá).
Nas universidades de Teerão, verificaram-se contraprotestos a favor da República Islâmica, nos quais gritaram "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos" e queimaram bandeiras desses países.
Na Universidade de Teerão ocorreram confrontos entre o que as ONG opositoras ao regime classificaram como 'basijis' --- milicianos islâmicos --- e estudantes, sem que houvesse relatos de feridos.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando comerciantes saíram às ruas devido à desvalorização do rial, mas foram crescendo até se tornarem num movimento cidadão que exigia o fim da República Islâmica e que foi brutalmente reprimido nos dias 08 e 09 de janeiro.
O Governo iraniano reconhece oficialmente 3.117 mortos, enquanto organizações opositoras como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, estimam que 7.015 pessoas morreram, embora continuem a verificar mais de 11.700 possíveis mortes e estimem que cerca de 53.000 pessoas foram detidas.
Quatro mortos em acidente com helicóptero militar no Irão
Este é o segundo acidente com uma aeronave da Força Aérea iraniana em menos de uma semana, depois de um caça ter caído na quinta-feira no noroeste do país por razões ainda não esclarecidas, matando um piloto e um copiloto.
"Um helicóptero da Força Aérea Iraniana caiu na manhã de terça-feira [hoje] num mercado de frutas e verduras na cidade de Darcheh, na província de Isfahan", informou a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária.
A mesma fonte informa que o acidente resultou na morte do piloto, do copiloto e de dois vendedores do mercado.
Estes acidentes têm ocorrido num período de enormes tensões militares com os Estados Unidos, que enviaram uma grande força armada para o Oriente Médio para pressionar o Irão a um acordo nuclear.
Segundo o The New York Times, o presidente dos EUA, Donald Trump, pondera fazer um ataque nos próximos meses para depor os líderes políticos iranianos, caso a diplomacia não consiga persuadir o Irão a recuar no seu programa nuclear.
Acidentes com aeronaves militares são comuns no Irão devido à idade das aeronaves, adquiridas antes da Revolução Islâmica de 1979.
Desde a instauração da República Islâmica pelo aiatola Ali Khamenei, o Irão não conseguiu adquirir novos caças para a Força Aérea do país.
Irão diz que afirmações de Trump são "grandes mentiras"
O diplomata comparou as declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre o programa nuclear iraniano com a máxima do ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Joseph Goebbels, de que, se uma mentira for repetida muitas vezes, torna-se verdade.
"Esta lei é utilizada sistematicamente pelo Governo dos Estados Unidos e pelos especuladores da guerra que rodeiam os EUA, em particular o regime genocida israelita, para impulsionar a sua sinistra campanha de desinformação contra a nação iraniana", afirmou Bagaei.
"Ninguém deve deixar enganar-se por essas falsidades proeminentes", continuou o diplomata iraniano, que escreveu a mensagem em persa, inglês, francês, espanhol e árabe, algo pouco habitual.
Bagaei não mencionou diretamente Trump, mas a mensagem surge depois do Presidente dos Estados Unidos ter afirmado na terça-feira que o Irão "continua a perseguir as suas sinistras ambições" de desenvolver uma arma nuclear, afirmando que nunca o permitirá.
"Eles foram avisados para não tentarem reconstruir o seu programa de armas, em particular as nucleares. No entanto, continuam a começar do zero", afirmou Donald Trump no discurso sobre o Estado da União.
O dirigente dos Estados Unidos invocou a operação 'Midnight Hammer', quando, em 22 de junho de 2025, atacou as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, para lembrar que os Estados Unidos já atuaram contra o programa iraniano.
Atualmente, os Estados Unidos concentram no Médio Oriente, em particular, no Golfo Pérsico, a maior presença de forças desde 2003, incluindo dois grupos de porta-aviões - USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, o maior dos porta-aviões norte-americanos, vários contratorpedeiros e dezenas de caças de combate - e milhares de tropas. O trânsito da força aérea dos Estados Unidos pela Base das Lages, nos Açores, registou igualmente níveis históricos nos últimos dias.
A República Islâmica afirma há décadas que o programa nuclear tem fins pacíficos e não procura desenvolver uma arma nuclear, e, na terça-feira à noite, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abás Araqchí, insistiu neste ponto.
"As nossas convicções fundamentais são muito claras: o Irão não desenvolverá, em circunstância alguma, armas nucleares, nem os iranianos renunciarão jamais ao direito de aproveitar os benefícios da tecnologia nuclear pacífica para o nosso povo", disse Araqchí na rede social X .
O ministro dos Negócios Estrangeiros e chefe da delegação iraniana afirmou que irá à ronda de negociações com os Estados Unidos, na quinta-feira em Genebra, "com a determinação de chegar a um acordo justo e equitativo no menor tempo possível".
Trump tem repetido ameaças contínuas contra a República Islâmica, caso não seja alcançado um consenso e, na segunda-feira, afirmou que "será um mau dia para o país [Irão] e, infelizmente, para o seu povo" se não fecharem um acordo.
O Irão, por sua vez, advertiu que, se for atacado, responderá com dureza e o conflito espalhar-se-á pela região.
Irão diz que acordo nuclear com EUA está "ao alcance"
O Irão retomará as negociações "determinado a chegar a um acordo justo e equitativo o mais rapidamente possível", afirmou Abbas Araghchi numa mensagem publicada na rede social X.
Teerão e Washington devem realizar na quinta-feira, na cidade suíça de Genebra, uma terceira ronda de negociações centradas no programa nuclear iraniano, após terem retomado o diálogo em 06 de fevereiro, em Omã.
Araghchi referiu que esta é uma "oportunidade histórica para concluir um acordo sem precedentes que tenha em conta as preocupações iranianas e interesses mútuos".
O chefe da diplomacia do Irão frisou ainda que "um acordo está ao alcance, mas apenas se a diplomacia for privilegiada".
Também o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majid Takht-Ravanchi, assegurou hoje que a República Islâmica está pronta para "fazer tudo o que for necessário" para chegar a um acordo nuclear com os Estados Unidos "o mais rápido possível".
"Queremos fazer tudo o que for necessário para que isso aconteça. Entraremos na sala de negociações em Genebra com toda a sinceridade e boa vontade", afirmou em declarações à rádio pública norte-americana NPR.
O representante iraniano adiantou que as negociações se centram exclusivamente no programa nuclear.
"A única questão nas negociações em Genebra é o tema nuclear", acrescentou.
As discussões anteriores entre Teerão e Washington foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra de 12 dias desencadeada por Israel contra o Irão, à qual os Estados Unidos se associaram, bombardeando instalações nucleares iranianas.
Na semana passada, após a última ronda de negociações em Genebra mediadas por Omã, Teerão garantiu ter chegado a acordo com Washington sobre "um conjunto de princípios orientadores" para um eventual compromisso entre os dois países, mas o vice-presidente norte-americano, JD Vance, salientou que persistiam divergências sobre as "linhas vermelhas" de Washington.
O presidente norte-americano, Donald Trump, indicou na quinta-feira ter fixado um prazo de "10 a 15 dias" para decidir se recorre ou não à força contra Teerão.
Apesar de o novo aviso, Araghchi considerou no domingo que existem "boas hipóteses de alcançar uma solução diplomática em moldes mutuamente vantajosos".
No centro das divergências está o programa nuclear iraniano, que os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam de estar a ser utilizado para produzir armas nucleares.
O Irão nega essa intenção e defende que o seu enriquecimento de urânio é para uso civil.
Araghchi lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos têm sido representados pelo enviado da Casa Branca Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.
Irão: Protestos de estudantes universitários prosseguem pelo quinto dia
Os protestos estudantis no Irão prosseguiram hoje pelo quinto dia consecutivo, ainda que com menor intensidade, em pelo menos seis universidades do país, onde foram entoados 'slogans' contra o regime da República Islâmica.
Na capital do país, Teerão, registaram-se manifestações nas universidades Kharazmi, Pars e Artes, segundo associações estudantis citadas nas redes sociais.
Na Universidade de Artes de Teerão, estudantes evocaram vítimas dos protestos de janeiro, gritando os seus nomes e entoando palavras de ordem como "Lutamos, morremos, reconquistaremos o Irão".
Na Universidade Pars, alguns manifestantes entoaram 'slogans' pró-monarquia, incluindo "Viva o Xá" e referências ao regresso da dinastia Pahlavi.
Já na Universidade de Kharazmi, um grupo de estudantes protestou contra a decisão da reitoria de suspender as aulas presenciais até ao final do ano iraniano, a 20 de março, alertando que a transição para ensino 'online' poderia radicalizar os protestos.
A administração da universidade afirmou que a decisão se deve ao mês do Ramadão, aos custos de deslocação e a pedidos de famílias e estudantes, negando ligação direta com as manifestações.
Na cidade de Mashhad, no nordeste do país, estudantes da Universidade Ferdowsi e da Universidade de Ciências Médicas também participaram em protestos, entoando palavras de ordem contra o regime, segundo o boletim estudantil Amirkabir, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.
Em resposta a esta nova vaga de contestação, o ministro da Ciência, Investigação e Tecnologia, Hossein Simai Sarraf, avisou que as aulas presenciais poderão ser suspensas caso ocorram "insultos, abuso verbal ou violência física".
O jornal reformista Shargh noticiou que várias universidades de Teerão impediram a entrada de pelo menos 180 estudantes nos campus universitários por alegada violação de normas disciplinares, tendo sido convocados para comissões internas.
Os protestos recomeçaram no sábado, primeiro dia do novo semestre, num contexto de crescente tensão militar com os Estados Unidos, que reforçaram a presença na região do Médio Oriente para pressionar Teerão nas negociações nucleares em curso.
Uma vaga de protestos foi iniciada em 28 de dezembro em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a centenas de cidades do país durante o mês de janeiro.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas endureceram depois a sua posição e lançaram uma violenta repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.
As autoridades iranianas reconheceram 3.117 mortos, na maioria manifestantes, número porém contestado por várias organizações de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
Irão diz ter tido as negociações "mais intensas" até agora com os EUA
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou hoje ter tido as negociações "mais intensas" até o momento com os Estados Unidos, após um dia de discussões indiretas em Genebra na quinta-feira.
"Esta sessão de negociações foi a mais intensa até à data", sublinhou o negociador iraniano numa mensagem publicada na rede social X, acrescentando que "foram alcançados novos progressos no compromisso diplomático com os Estados Unidos".
"Fizemos progressos muito bons e abordámos muito seriamente os elementos de um acordo, tanto no domínio nuclear como no das sanções", disse Araghchi à televisão estatal iraniana, anunciando uma provável nova sessão de negociações em menos de uma semana.
"Foi (...) decidido que o próximo ciclo de negociações se realizaria muito em breve, talvez em menos de uma semana", disse.
As discussões "entre equipas técnicas" serão realizadas previamente na segunda-feira em Viena, na Áustria, com a "ajuda de especialistas" da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
O mediador de Omã também falou de "progressos significativos", através do seu chefe da diplomacia, Badr al-Busaidi.
"Os negociadores demonstram uma abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas", saudou Busaidi na quinta-feira, depois de se ter reunido com o enviado norte-americano Steve Witkoff, acompanhado pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner.
Estas negociações parecem ser a última oportunidade para evitar um confronto militar após um massivo destacamento de forças norte-americanas no Médio Oriente e Golfo Pérsico.
Donald Trump lançou, a 19 de fevereiro, um ultimato de "10 a 15 dias" para decidir se um acordo com Teerão era possível ou se iria recorrer à força.
As partes realizaram na quinta-feira, durante várias horas, interrompidas por uma pausa ao meio-dia, uma terceira sessão de negociações na residência do embaixador de Omã, nos arredores de Genebra.
Washington quer chegar a um acordo que impeça o Irão de se dotar de armas nucleares, um receio dos ocidentais que há muito alimenta as tensões com Teerão.
A República Islâmica nega ter tais ambições, mas insiste no seu "direito" ao nuclear civil, em virtude do Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatária.
De acordo com o Wall Street Journal, os negociadores norte-americanos apresentaram exigências maximalistas, incluindo o desmantelamento total das três principais instalações nucleares iranianas, Fordo, Natanz e Isfahan - alvo de ataques da força aérea americana em junho - e a entrega aos Estados Unidos das reservas de urânio enriquecido do país.
Outro motivo de discórdia: Washington exige abordar a questão do programa balístico iraniano, o que o Irão exclui, tendo a sua diplomacia afirmado que apenas o dossier nuclear seria debatido.
No seu discurso sobre o estado da União, o Presidente Trump acusou na terça-feira o Irão de possuir "mísseis que podem ameaçar a Europa" e as bases militares norte-americanas, e de trabalhar no desenvolvimento de mísseis mais poderosos, capazes de "atingir em breve os Estados Unidos".
Teerão, que afirma ter limitado o alcance dos seus mísseis a 2.000 km, denunciou "grandes mentiras".
O Irão dispõe de um vasto arsenal concebido localmente, incluindo Shahab-3, que podem atingir Israel e países da Europa Oriental.
Satélites captam movimento inesperado: Irão reativa submarino “Frankenstein” russo
As imagens de satélite não mentem: no meio da crescente tensão com os Estados Unidos, o Irão voltou a colocar no mar um dos seus submarinos mais temidos. Após meses em manutenção, um classe Kilo de origem russa regressa ao ativo no Golfo Pérsico, reintroduzindo no tabuleiro estratégico uma ameaça silenciosa capaz de alterar o equilíbrio sob a superfície.
A decisão surge num momento marcado por forte pressão diplomática relacionada com o programa nuclear iraniano e pela aproximação de grupos de combate norte-americanos à região.
Submarino russo regressa ao ativo após meses em manutenção
Segundo análises baseadas em fontes abertas e observação por satélite, o submarino foi identificado a regressar ao cais na chamada Base Naval 1 iraniana, depois de vários meses em dique seco.
A unidade faz parte do lote adquirido à Rússia durante a década de 1990, numa altura em que o Irão procurava modernizar rapidamente a sua marinha. Cada submarino terá custado cerca de 600 milhões de dólares, representando um dos maiores investimentos militares iranianos após o fim da Guerra Fria.
Nova imagem de satélite de alta resolução (datada de 15 de fevereiro de 2026) mostra um dos submarinos iranianos da classe Kilo de volta ao porto de Bandar-Abbas Shahid Bahonar após revisão na doca da IRIN, enquanto outro ainda está a ser reparado lá. A IRIN deixou um dos seus três submarinos Kilo prontos, bem a tempo.
Os submarinos diesel-elétricos dos Projetos 877 e 636, conhecidos no Ocidente como classe Kilo, tornaram-se um dos maiores sucessos de exportação da indústria naval soviética e posteriormente russa.
Índia, China, Vietname, Argélia e o próprio Irão recorreram a estas plataformas como forma de obter capacidade submarina avançada sem desenvolver tecnologia própria.
O “buraco negro” da Guerra Fria continua a ter valor estratégico
Desenvolvidos ainda durante a Guerra Fria, os Kilo ganharam fama pela sua assinatura acústica reduzida quando operam em modo elétrico, característica que lhes valeu o apelido de “buraco negro” entre analistas militares.
Apesar de especialistas considerarem que essa reputação é hoje menos impressionante face aos submarinos ocidentais modernos equipados com sistemas de propulsão independente do ar (AIP), continuam a oferecer capacidades relevantes.
Entre elas destacam-se:
Discrição acústica em operação a baterias;
Torpedos pesados capazes de atingir navios de superfície;
Capacidade de colocação de minas marítimas;
Revestimentos anecoicos destinados a reduzir a deteção sonar.
No contexto específico do Golfo Pérsico, estas características mantêm utilidade operacional significativa.
O Irão dificilmente procuraria enfrentar diretamente a Marinha dos Estados Unidos num confronto convencional em mar aberto.
Em vez disso, a sua doutrina naval privilegia estratégias de negação de área, cujo objetivo passa por dificultar e encarecer a presença militar adversária em zonas críticas.
Estreito de Ormuz continua a ser o ponto mais sensível
Um dos principais focos estratégicos é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte energético.
Em algumas zonas, os corredores navegáveis apresentam apenas alguns quilómetros de largura. Nestas condições, um submarino diesel-elétrico silencioso pode representar uma ameaça credível para navios de escolta ou embarcações logísticas, mesmo perante grupos de combate de porta-aviões protegidos por helicópteros antisubmarinos MH-60R ou aeronaves de patrulha marítima P-8A Poseidon.
O objetivo estratégico não seria necessariamente afundar um porta-aviões norte-americano, mas sim criar suficiente incerteza operacional para aumentar o risco político e militar de qualquer intervenção.
A modernização do submarino classe Kilo parece integrar um plano mais amplo de reorganização naval.
Imagens recentes indicam igualmente a presença de mais de uma dezena de mini-submarinos costeiros da classe Ghadir na mesma base naval.
Com cerca de 117 a 125 toneladas em imersão e propulsão diesel-elétrica, estas unidades foram concebidas para operar em águas pouco profundas e com elevado tráfego marítimo.
O Irão afirma ter adicionado dois mini-submarinos à sua frota naval Os submarinos da classe Ghadir alegadamente possuem tecnologia de evasão de sonares, capacidade para lançar mísseis debaixo de água, bem como disparar torpedos e lançar minas marítimas
Nesse ambiente, fatores como o ruído civil constante, a elevada salinidade e as correntes complexas reduzem significativamente a eficácia dos sistemas sonar, tornando estas embarcações difíceis de detetar, apesar da autonomia limitada e menor poder de fogo.
Perante a superioridade tecnológica norte-americana, o Irão aposta sobretudo na quantidade, dispersão de meios e profundo conhecimento do terreno marítimo local.
O Golfo Pérsico é simultaneamente problema e vantagem
Especialistas recordam que as próprias condições ambientais do Golfo Pérsico têm historicamente penalizado os submarinos iranianos da classe Kilo.
A pouca profundidade, aliada à elevada salinidade e às temperaturas da água, acelera o desgaste técnico e obriga a períodos prolongados de manutenção e reacondicionamento.
Infográfico intitulado «EUA aumentam presença militar na região contra o Irão, apesar do processo de negociação», criado em Ancara, Turquia, em 16 de fevereiro de 2026. (Infográfico AA)
Paradoxalmente, estas mesmas características favorecem plataformas menores e discretas, aumentando o risco operacional para grandes concentrações navais estrangeiras.
Assim, enquanto Washington reforça a sua presença militar para sustentar pressão diplomática e estratégica, Teerão parece apostar numa combinação de plataformas soviéticas modernizadas e flotilhas costeiras modernas, procurando equilibrar a balança através da dissuasão invisível sob a superfície.
Ouvidas explosões em Teerão. Israel confirma "ataque preventivo"
Os meios de comunicação iranianos noticiaram hoje pelo menos três explosões no centro e norte de Teerão, pouco depois de Israel ter anunciado que tinha lançado ataques contra a República Islâmica.
O Ministério da Defesa israelita informou que Israel lançou um "ataque preventivo contra o Irão" para "eliminar as ameaças" ao seu país, após o que os alarmes antimísseis soaram no território israelita.
"Espera-se um ataque com mísseis e drones contra o Estado de Israel e a sua população civil no futuro imediato", informou a Defesa iraelita num comunicado enviado às 8:15, hora local (6:15 TMG), no qual indicou que o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou estado de emergência em todo o país.
No documento em que Katz declara o estado de emergência, partilhado pelo departamento de que é titular, estabelece-se uma duração do mesmo de 48 horas.
Coincidindo com o anúncio do ataque, todos os telemóveis em Israel emitiram um "alerta de emergência extrema", avisando a população para procurar abrigos próximos e evitar deslocações desnecessárias, o mesmo que soou quando o governo israelita atacou o Irão em junho de 2025, após o que começou a chamada guerra dos 12 dias.
Em cidades como Jerusalém, onde se ouviu durante a manhã o sobrevoo de aviões, os alarmes antiaéreos dispararam.
O ataque ocorre numa situação de alta tensão regional, após semanas de ameaças dos Estados Unidos de uma ação militar no país persa.
Donald Trump confirma ataques ao Irão: "Ameaças iminentes"
Donald Trump, confirmou os ataques levados a cabo contra o Irão, este sábado. Disse ainda que eliminou "ameaças iminentes" à segurança dos Estados Unidos e que a "hora de liberdade" do povo iraniano está a chegar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou, este sábado, os ataques ao Irão, referindo que eliminou "ameaças iminentes" à segurança do seu país.
"As forças armadas dos Estados Unidos iniciaram uma grande operação de combate no Irão. O nosso objetivo é defender os americanos através da eliminação das ameaças iminentes do governo iraniano", começou por dizer, num vídeo partilhado na rede Truth Social.
O presidente norte-americano referiu que as "atividades do Irão" afetam diretamente os Estados Unidos, assim como outros aliados.
"Durante 47 anos, o regime iraniano gritou: 'Morte à América' e travou uma campanha interminável de derrame de sangue", continuou, apontando ainda a crise que a Embaixada dos EUA viveram entre 1979 e 1981, quando foram feitos reféns 66 pessoas durante 444 dias.
"Tem sido o terror não vamos tolerar mais isso", sublinhou, acrescentando que o Irão estava a reconstruir o seu programa nuclear e a desenvolver mísseis de longo alcance.
Já dirigindo-se aos iranianos, Trump afirmou: "A hora da liberdade está próxima", mas deixou um aviso: "Vão cair bombas em todo o lado".
"Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será vosso", referiu, dizendo ainda que está será "a única hipótese de várias gerações", uma vez que "nunca receberam" ajuda de um presidente dos Estados Unidos.
"Nenhum presidente esteve disposto a fazer o que eu estou disposto a fazer esta noite", sublinhou.
De recordar que, hoje, os meios de comunicação iranianos noticiaram pelo menos três explosões no centro e norte de Teerão, pouco depois de Israel ter anunciado que tinha lançado ataques contra a República Islâmica.
O ministério da Defesa israelita informou que Israel lançou um "ataque preventivo contra o Irão" para "eliminar as ameaças" ao seu país, após o que os alarmes antimísseis soaram no território israelita
O ataque ocorre numa situação de alta tensão regional, após semanas de ameaças dos Estados Unidos de uma ação militar no país persa.
Ataque de Israel a Teerão atinge zona próxima dos escritórios do líder supremo
Israel lançou hoje um ataque diurno contra a capital do Irão, onde nuvens de fumo subiram no norte e centro da cidade, numa zona aparentemente próxima dos escritórios do líder supremo, aiatola Ali Khamenei.
Os Estados Unidos estão a participar nos ataques, de acordo com um funcionário norte-americano e uma fonte familiarizada com a operação, que falaram com a agência Associated Press sob condição de anonimato, por se tratar de detalhes sobre operações militares sensíveis.
Não é claro o alcance total do envolvimento norte-americano nos ataques e a Casa Branca recusou-se a comentar imediatamente, acrescentou a AP.
Não se sabe também se Ali Khamenei, de 86 anos, se encontrava nos escritórios no momento do ataque, sendo que não é visto em público há dias, desde que as tensões com os Estados Unidos começaram a aumentar.
As estradas para o complexo de Khamenei no centro de Teerão foram fechadas pelas autoridades, enquanto outras explosões ecoavam pela capital, avançou a AP.
O ataque ocorre no momento em que os Estados Unidos reuniram uma vasta frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irão a chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear.
Trump queria um acordo para restringir o programa nuclear do Irão e vê uma oportunidade de atacar o regime nas dificuldades internas com a crescente dissidência, após protestos que o regime enfrenta em todo o país.
O Irão tem mantido a declaração que tudo fará para evitar uma guerra, mas tem reafirmado ao mesmo tempo o direito de enriquecer urânio destinado ao seu programa de energia nuclear, assim como não quer discutir outras questões, como o programa de mísseis de longo alcance ou o apoio a grupos armados como o Hamas e o Hezbollah.
Não é claro se o Irão retaliará imediatamente, mas o país alertou previamente que militares e bases norte-americanas espalhadas pela região seriam alvos de qualquer retaliação caso fosse atacado.
O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, descreveu o ataque como tendo sido feito "para eliminar ameaças", sem acrescentar detalhes.
Sirenes soaram em todo o território de Israel ao mesmo tempo que o seu espaço aéreo foi fechado. As forças armadas israelitas afirmaram ter emitido um "alerta proativo para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra o Estado de Israel".
Vários hospitais em Israel ativaram os seus protocolos de emergência, incluindo a transferência de pacientes e cirurgias para instalações subterrâneas.
Entretanto, novas explosões atingiram Teerão depois de Israel ter anunciado que estava a atacar o país, segundo a agência AP. As autoridades iranianas não divulgaram informações sobre eventuais vítimas dos ataques.
O Irão fechou de imediato o seu espaço aéreo, depois de Israel ter lançado o ataque. O aviso aos pilotos foi emitido quando as primeiras explosões ecoaram por Teerão.
Estradas bloqueadas e corrida aos multibancos após ataques israelitas
As estradas do norte de Teerão, capital do Irão, encheram-se de carros esta manhã, pouco depois das primeiras explosões dos ataques israelitas, com algumas artérias a ficarem bloqueadas, segundo noticiou a agência EFE.
Muitos pais dirigiram-se às escolas para buscar os filhos e formaram-se filas nas caixas automáticas para levantar dinheiro.
Embora as primeiras explosões tenham ocorrido mais ao sul da cidade de 12 milhões de habitantes, o cheiro a queimado e químico dos impactos israelitas era também sentido na parte norte de Teerão.
Eram visíveis filas nas caixas automáticas, com as pessoas a tentar levantar dinheiro, recordando que durante a guerra de 12 dias em junho entre o Irão e Israel, vários bancos iranianos foram atacados e não foi possível usar os cartões bancários.
Entretanto, as autoridades da aviação civil do Irão anunciaram o fecho do espaço aéreo por seis horas e pediu aos cidadãos que não fossem para os aeroportos.
Israel e os Estados Unidos confirmaram hoje os ataques que ocorrem durante as negociações entre o Irão e os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, cuja última ronda ocorreu na quinta-feira e outra estava prevista para a próxima segunda-feira.
Essas negociações foram mantidas sob a ameaça militar dos Estados Unidos, que garantiram que atacariam o Irão se não fosse alcançado um acordo, o que levou ao maior destacamento militar norte-americano para o Médio Oriente desde 2003.
Sirenes de alerta antiaéreo ouvidas em várias regiões de Israel
As sirenes de alerta antiaéreo soaram hoje em várias regiões de Israel, anunciou o exército após declarar que havia detetado mísseis lançados do Irão em direção a território israelita.
"Há pouco, as sirenes soaram em várias regiões do país após a identificação de mísseis lançados do Irão em direção a Israel", declarou o exército num comunicado.
As autoridades israelitas apelaram à população, através de mensagens enviadas para telemóveis, para que se preparassem para se refugiar.
Este alerta surgiu depois de a comunicação social iraniana relatar a ocorrência de ataques em todo o Irão e a televisão estatal iraniana confirmou o que descreveu como um "ataque aéreo do regime sionista", após uma série de explosões ouvidas em Teerão.
De acordo com a agência de notícias Fars, "foram registados sete impactos de mísseis nos bairros de Keshvardoust e Pasteur" na capital iraniana, zona onde se situa a residência do líder supremo, Ali Khamenei.
Teerão anuncia primeira vaga de mísseis e drones contra Israel
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou hoje o início de uma primeira vaga de ataques com mísseis e drones contra Israel, em retaliação a operações aéreas das forças israelitas e norte-americanas contra o Irão.
"Começou a primeira vaga de amplos ataques com mísseis e drones da República Islâmica do Irão em direção aos territórios ocupados", disse a Guarda Revolucionária num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A força armada que protege o regime teocrático de Teerão disse que se trata da "resposta à agressão do inimigo hostil e criminoso contra a República Islâmica do Irão".
As sirenes antiaéreas foram acionadas em Jerusalém e noutros pontos do centro de Israel, pouco depois de os Estados Unidos e as forças israelitas terem lançado uma série de operações aéreas contra diversos alvos no Irão.
Foram registadas explosões na capital iraniana e em várias cidades do país.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma operação militar em grande escala para aniquilar e destruir o regime da República Islâmica.
Trump apelou ao povo iraniano para que se subleve e tome o controlo do país.
As ligações à Internet e a rede telefónica encontravam-se cortadas no Irão, segundo a EFE.
Até ao momento, as autoridades não apresentaram um balanço de danos ou de vítimas resultantes dos ataques aéreos.
Irão. Grande dispositivo de segurança no bairro onde reside Khamenei
Um grande dispositivo de segurança foi instalado hoje em Teerão, capital do Irão, com ruas bloqueadas em torno do bairro onde reside o líder supremo Ali Khamenei, após os ataques israelitas e norte-americanos registados esta manhã.
Segundo o testemunho de um jornalista da AFP, há fumo no bairro de Pasteur, onde se encontram a residência do líder supremo e a presidência, no centro da capital iraniana.
Pessoas presentes no local disseram à agência francesa ter ouvido três explosões na área.
Os Estados Unidos e Israel lançaram hoje um ataque conjunto contra o Irão, que atingiu a capital, Teerão, onde são visíveis grandes colunas de fumo.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o seu país iniciou "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Este ataque acontece dois dias depois da última ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
O Bahrein anunciou hoje que uma base norte-americana no país foi atingida num "ataque com mísseis", tendo-se também ouvido explosões na capital, na sequência dos ataques aéreos israelitas e dos EUA contra o Irão.
"Um centro de serviços da Quinta Frota [dos EUA] foi alvo de um ataque com mísseis", avançou a agência noticiosa oficial do Bahrein, a BNA.
"Instamos o público a seguir as instruções emitidas pelas autoridades oficiais e a obter informações de fontes oficiais", acrescentou.
A Quinta Frota é o contingente naval dos Estados Unidos destacado no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no Mar Arábico.
O ataque foi realizado pelo Irão e, de acordo com a rádio estatal iraniana, a IRIB, tratou-se da primeira resposta à operação conjunta EUA-Israel contra os seus centros de poder em Teerão e noutras partes do país.
Os Estados Unidos e Israel lançaram hoje um ataque conjunto contra o Irão, que atingiu a capital, Teerão, onde são visíveis grandes colunas de fumo.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o seu país iniciou "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Este ataque acontece dois dias depois da última ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Os sistemas de defesa do Qatar intercetaram hoje um míssil iraniano, informou um responsável citado pela agência de notícias francesa AFP, enquanto sirenes de alerta aéreo soam por todo o emirado.
Os intercetores 'patriot', de fabrico norte-americano, abateram um míssil iraniano, disse o responsável sob anonimato.
O Qatar alberga a base aérea de Al-Udeid, a maior instalação militar norte-americana na região.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram esta manhã um ataque conjunto ao Irão, que atingiu a capital, Teerão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o seu país iniciou "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
O Irão já respondeu, entretanto, lançado mísseis sobre a base militar norte-americana no Bahrein.
O ataque dos EUA e Israel acontece dois dias depois da última ronda de negociações com o Irão sobre o programa nuclear iraniano, sendo que estavam marcadas novas conversações para a próxima semana.Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Um centro de serviços da Quinta Frota dos Estados Unidos atacado por mísseis iranianos como resposta à ação conjunta dos Estados Unidos e Israel que, ao início da manhã, atacaram Teerão e várias regiões iranianas.
O Irão atacou, este sábado, uma base militar norte-americana no Bahrein, como retaliação à operação conjunta dos Estados Unidos e Israel contra a capital iraniana e outras regiões do país.
"Um centro de serviços da Quinta Frota [dos EUA] foi alvo de um ataque com mísseis", avançou a agência noticiosa oficial do Bahrein, a BNA.
Nas redes sociais, há já vários vídeos do momento do ataque, onde é possível ver um míssil a atingir a base.
De notar que a Quinta Frota é o contingente naval dos Estados Unidos destacado no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no Mar Arábico.
Recorde-se que os Estados Unidos e Israel lançaram hoje um ataque conjunto contra o Irão, que atingiu a capital, Teerão, onde são visíveis grandes colunas de fumo.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o seu país iniciou "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Este ataque acontece dois dias depois da última ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
"Operação Fúria Épica" e "Operação Rugido de Leão"
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos da América denominou os ataques contra o Irão de "Operação Fúria Épica", segundo informou na sua conta oficial na rede social X.
Por seu turno, Israel designou a operação como "Rugido do Leão", numa declaração em vídeo hoje divulgada.
Governo português acompanha situação "ao minuto"
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse hoje estar a acompanhar ao minuto os desenvolvimentos da situação no Irão, depois dos Estados Unidos terem iniciado ataques aéreos numa operação conjunta com Israel.
"O MNE acompanha ao minuto todos os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel, em contacto permanente com a nossa rede diplomática. A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses", indica o ministério numa publicação na rede social X.
Emirados Árabes Unidos intercetaram mísseis iranianos e admitem ripostar
Os Emirados Árabes Unidos declararam hoje ter intercetado mísseis iranianos e afirmaram reservar-se o direito de responder a qualquer ataque, enquanto o Kuwait também intercetou mísseis no espaço aéreo do país.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) "foram hoje alvo de um ataque manifesto com mísseis balísticos iranianos. As defesas aéreas dos Emirados reagiram com grande eficácia e conseguiram intercetar vários desses mísseis", indicaram as autoridades em comunicado.
Abu Dhabi acrescentou que "se reserva plenamente o direito de responder", denunciando "uma escalada perigosa".
O chefe do Estado-Maior do Kuwait, por seu lado, indicou que "os sistemas de defesa aérea assumiram o controlo dos mísseis detetados no espaço aéreo".
Entretanto, habitantes de Abu Dhabi disseram à agência de notícias France Presse ter ouvido fortes explosões na capital dos EAU, que abriga uma base norte-americana, depois de Estados Unidos e Israel terem anunciado ataques ao Irão, que prometeu retaliar.
Antes, os EAU anunciaram ter fechado o espaço aéreo "temporária e parcialmente" como medida de precaução excecional.
O Presidente dos Estados Unidos anunciou que o país iniciou "grandes operações de combate no Irão" para "eliminar ameaças iminentes".
"A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos", disse Donald Trump num vídeo de oito minutos através da rede social Truth Social, confirmando o envolvimento dos EUA no ataque ao Irão.
Entenda a importante mobilização militar dos EUA no Médio Oriente
A elevada concentração de meios militares norte-americanos no Médio Oriente, incluindo navios de guerra, aviões de combate e sistemas de reabastecimento, oferece aos Estados Unidos a possibilidade de uma operação prolongada contra o Irão.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos lançaram hoje grandes operações de combate contra o Irão e apelou ao povo iraniano para tomar o poder.
Trump tinha ameaçado Teerão por diversas vezes com uma intervenção militar caso as discussões em curso não resultassem num acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Washington tem atualmente destacados no Médio Oriente navios e aviões de guerra às dezenas.
Dispõe também de dezenas de milhares de soldados em bases militares por toda a região, algumas potencialmente vulneráveis em caso de contra-ataque iraniano.
Eis os principais meios militares norte-americanos destacados na região, após o anúncio de ataques que, segundo Trump, visaram as forças navais e as capacidades de mísseis de Teerão, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
A presença de "tal potência de fogo (...) na região cria uma dinâmica própria. Por vezes é um pouco difícil travá-la e dizer: 'É tudo, não fazemos nada'", explica Susan Ziadeh, analista no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Forças navais
O exército norte-americano conta atualmente com uma dezena de navios de guerra no Médio Oriente: um porta-aviões, o "Abraham Lincoln", chegado no final de janeiro, nove contratorpedeiros e três fragatas ligeiras, segundo um responsável norte-americano.
O maior porta-aviões do mundo, o "Gerald Ford", cruzou o Mediterrâneo, após Donald Trump ter ordenado o destacamento para a região em meados de fevereiro. É acompanhado por três contratorpedeiros.
O porta-aviões embarcou mantimentos, combustível e munições na baía de Suda, na ilha grega de Creta, no início da semana, tendo deixado o porto na quinta-feira.
Imagens de satélite mostraram-no no dia seguinte a várias centenas de milhas a oeste do porto israelita de Haifa.
É raro que dois porta-aviões norte-americanos, que transportam dezenas de aviões de combate e operam com milhares de marinheiros a bordo, sejam enviados ao mesmo tempo para o Médio Oriente.
Mas tal já tinha acontecido em junho de 2025, quando Trump decidiu realizar ataques aéreos contra três locais nucleares iranianos durante a guerra de 12 dias desencadeada por Israel.
Forças aéreas
Os Estados Unidos mobilizaram igualmente uma frota aérea de envergadura no Médio Oriente, segundo contas especializadas das redes sociais e o 'site' de monitorização de voos Flightradar24.
A força inclui aviões de combate furtivos F-22 Raptor, aviões furtivos F-35 Lightning, aviões de combate F-15 e F-16, e aviões de reabastecimento KC-135 para apoiar as operações.
Defesa aérea
Os Estados Unidos terão também reforçado os sistemas de defesa aérea terrestres no Médio Oriente, enquanto os numerosos contratorpedeiros lança-mísseis presentes na região garantem capacidades de defesa aérea no mar.
Forças norte-americanas em bases
Embora não seja esperado que as forças terrestres participem em ações ofensivas contra o Irão, os Estados Unidos dispõem de várias dezenas de milhares de militares estacionados em bases no Médio Oriente, potencialmente vulneráveis a um contra-ataque.
Desta forma, um centro do quartel-general da Quinta Frota norte-americana no Bahrein foi hoje atingido por um ataque de míssil, anunciaram as autoridades do país.
Teerão lançou mísseis contra uma base norte-americana no Qatar depois de Washington ter atingido três locais nucleares iranianos em junho de 2025, mas foram abatidos pelas defesas aéreas.
Líder supremo e presidente foram os alvos dos ataques ao Irão
O guia supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, e o Presidente Masoud Pezeshkian, estarão entre os alvos da ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram hoje contra o Irão, informou a radiotelevisão pública israelita KAN.
"Uma fonte israelita confirma: entre os alvos do ataque figuram o guia supremo iraniano Khamenei e o Presidente Pezeshkian", noticiou a KAN numa rede social, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
Citando a mesma fonte, foi também mencionado o nome de Ali Shamkhani, conselheiro do guia supremo e antigo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, embora não se saiba se os objetivos foram atingidos.
"Na primeira vaga, visámos alvos de alto escalão, pessoas envolvidas nos planos que visam destruir Israel", afirmou uma fonte de segurança israelita num encontro com jornalistas, no qual a AFP esteve presente.
Questionado sobre se Ali Khamenei integrava essa lista, o responsável recusou confirmar nomes específicos.
De acordo com a mesma fonte, Israel terá decidido atacar o Irão devido ao desenvolvimento "cada vez mais rápido" da produção de mísseis balísticos em território iraniano.
"Eles desenvolvem dezenas de mísseis balísticos todos os meses e o ritmo de produção está a tornar-se cada vez mais rápido", declarou a fonte, sob a condição de não ser identificada.
Acrescentou que o regime de Teerão caminhava para a produção de "milhares de mísseis nos próximos anos", o que representava uma "expansão espetacular de um arsenal já perigoso".
Ao anunciar a operação, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que visava "eliminar ameaças iminentes" do Irão.
"A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos", disse Trump ao povo iraniano a partir da residência em Palm Beach, na Florida.
"Aos membros da Guarda Revolucionária Islâmica, às forças armadas e a toda a polícia, digo hoje que devem depor as armas e ter imunidade total ou, caso contrário, enfrentar uma morte certa", acrescentou.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou uma operação conjunta com o aliado norte-americano contra a "ameaça existencial que representa o regime terrorista no Irão".
Guarda Revolucionária do Irão confirma ataque a base naval dos EUA
A Guarda Revolucionária do Irão anunciou hoje ter atacado a Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos no Bahrein.
Em comunicado, a força iraniana afirmou que a base foi atingida por mísseis e drones.
A Quinta Frota é o contingente naval dos Estados Unidos destacado no golfo Pérsico, no mar Vermelho e no mar Arábico.
A Guarda Revolucionária do Irão disse também ter atingido bases norte-americanas no Qatar e Emirados Árabes Unidos, em resposta aos ataques aéreos de Israel e dos EUA contra o Irão.
O Presidente norte-americano disse que o objetivo é acabar com o regime e "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano" contra os EUA e aliados.
Trump reconheceu que os EUA poderão ter de aceitar vítimas nesta operação.
A UE classificou, em final de janeiro, a Guarda Revolucionária do Irão (exército ideológico da República Islâmica) como organização terrorista, em resposta à repressão de manifestações no país que causou milhares de mortos.
Qatar condena ataque com mísseis iranianos e reserva direito de resposta
O Qatar condenou hoje um ataque com mísseis iranianos contra o país, depois de várias explosões terem sido ouvidas em Doha.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros qatari expressou "forte condenação ao ataque com mísseis balísticos iranianos contra o território do Estado do Qatar".
A diplomacia de Doha considerou o ataque uma "violação flagrante da soberania nacional" e do direito internacional.
O Governo qatari acrescentou que "se reserva o direito de responder a este ataque", sem adiantar pormenores sobre eventuais medidas.
As autoridades não divulgaram, até ao momento, informações sobre vítimas ou danos materiais resultantes das explosões registadas na capital.