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Política de Trump para destruir ordem mundial "à marretada" discutida em Munique
O diagnóstico não podia ser mais explícito: Donald Trump está a demolir a ordem internacional "a golpes de marreta", alertou a Conferência de Segurança de Munique (MSC), que começa na sexta-feira na cidade alemã.
"O mundo entrou num período de política de demolição", lê-se na abertura do relatório de segurança de Munique, divulgado no início da semana para servir de ponto de partida para os três dias da conferência na capital da Baviera.
Mais de 60 chefes de Estado e de governo e cerca de uma centena de ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa devem participar nas discussões daquela que é considerada a "Davos da Defesa".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, vai abrir a MSC na sexta-feira e a lista de participantes inclui a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os líderes francês, Emmanuel Macron, britânico, Keir Starmer, ou polaco, Donald Tusk.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vai chefiar a delegação do país em Munique, onde são esperados também os líderes de Moldávia, Letónia, Dinamarca, Suécia e Noruega.
Portugal será representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Os Estados Unidos participam com uma delegação liderada pelo chefe da diplomacia, Marco Rubio, e mais de 50 membros do Congresso, referiu o presidente da MSC, o diplomata alemão Wolfgang Ischinger.
Em 2025, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, surpreendeu os dirigentes europeus em Munique com críticas à liberdade de expressão e à política migratória na Europa.
Ischinger disse esperar que Rubio fale sobre a política externa dos Estados Unidos "e não de temas que não dizem respeito diretamente à sua área de competência".
Sobre o tema central da MSC, Ischinger não poupou nas palavras na apresentação da conferência esta semana, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
"A ordem internacional está a ser, por assim dizer, despedaçada a golpes de marreta e, neste momento, algumas coisas foram destruídas ou correm o risco de o ser", afirmou.
Esse trabalho de demolição está a ser feito pelos Estados Unidos, o país que, referiu, "mais do que qualquer outro, moldou, apoiou e defendeu a ordem internacional depois de 1945".
Os Estados Unidos, sob a liderança do Presidente, Donald Trump, concluíram "que essa ordem já não serve os seus interesses".
Apelidada por vezes de "Davos da defesa", por analogia à conferência anual sobre economia na estância suíça, a MSC realiza-se este ano num contexto de instabilidade e de "profunda incerteza".
"Raramente na história da MSC estiveram em cima da mesa tantas questões fundamentais ao mesmo tempo", disse Ischinger, citado numa 'newsletter' da MSC.
Explicou que tal particularidade não se deve apenas aos conflitos e crises que têm dominado a agenda global, mas é também "o resultado da mudança do papel dos Estados Unidos no sistema internacional".
Face à política de Trump, destacam-se agora questões como a segurança da Europa, a resiliência da parceria transatlântica e a capacidade da comunidade internacional para gerir um mundo cada vez mais complexo e contestado.
"A paz e a segurança tornaram-se objetivos cada vez mais difíceis de alcançar", admitiu.
Ischinger referiu que a MSC decidiu abordar diretamente o problema central no relatório e na conferência, dada a importância do que chamou a "recalibração da política externa norte-americana".
"Muitos dos outros desafios na agenda - desde a arquitetura de segurança da Europa aos princípios fundamentais do direito internacional, passando pelo comércio e pela tecnologia - estão estreitamente ligados à evolução da posição dos Estados Unidos sobre como gerir a ordem internacional", justificou.
Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha entre 1998 e 2001, Wolfgang Ischinger foi embaixador em Washington (2001-2006) e em Londres (2006-2008), antes de assumir a presidência da MSC, na qual vai ser substituído este ano pelo norueguês Jens Stoltenberg, ex-secretário-geral da NATO.
nm
