Irão: Clérigo exige pena de morte para manifestantes e ameaça Trump
Um clérigo iraniano que liderou hoje as orações de sexta-feira em Teerão exigiu a aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos na repressão nacional em curso e ameaçou diretamente o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O sermão - que ilustra o endurecimento da linha dura no seio da República Islâmica e que foi transmitido pela rádio estatal iraniana - foi acompanhado por gritos de apoio da assistência, como "hipócritas armados devem ser mortos".
As declarações surgem num contexto em que Trump estabeleceu como "linhas vermelhas" para uma eventual ação militar norte-americana a execução de manifestantes e o assassinato de civis pacíficos no Irão.
Nomeado pelo líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, Khatami é membro da Assembleia de Peritos e do Conselho dos Guardiães, dois dos principais órgãos do sistema político iraniano.
No sermão, o clérigo descreveu os manifestantes como "mordomos" do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e como "soldados de Trump", afirmando que os protestos tinham como objetivo a "desintegração do país".
"Devem esperar uma dura vingança do sistema", defendeu Khatami, dirigindo-se a Trump e a Netanyahu, acrescentando que "americanos e sionistas não devem esperar paz".
As manifestações no Irão começaram a 28 de dezembro, motivadas pela crise económica e pelo colapso do rial, mas transformaram-se rapidamente em protestos que desafiam diretamente o regime teocrático.
O Governo iraniano cortou o acesso à Internet a 08 de janeiro e intensificou a repressão, que, segundo a organização Human Rights Activists, com sede nos Estados Unidos, já provocou pelo menos 2.677 mortos.
No sermão, Khatami apresentou também os primeiros números globais divulgados pelo regime sobre os danos materiais causados pelos protestos.
Segundo o clérigo, 350 mesquitas, 126 salas de oração e 20 outros locais sagrados foram danificados, assim como 80 residências de líderes religiosos responsáveis pelas orações de sexta-feira.
Khatami afirmou ainda que 400 hospitais, 106 ambulâncias, 71 veículos de bombeiros e outros 50 veículos de emergência sofreram danos, sublinhando a dimensão e a violência dos confrontos.
O responsável religioso apelou também à detenção de "todos os indivíduos que apoiem os manifestantes de qualquer forma".
Por ocupar funções oficiais, Khatami terá acesso direto a dados das autoridades, sendo interpretado que a divulgação destas informações num sermão público corresponde a uma forma indireta de comunicação oficial do regime, sem um pronunciamento formal do Governo.
Autoridades iranianas anunciam: "Prego no caixão do terrorismo"
As autoridades iranianas declararam hoje que ter "cravado o último prego no caixão do terrorismo", após as recentes manifestações e confrontos, apesar de relatos de milhares de mortos e feridos, em protestos contra a situação político-económica no país.
"Pela graça de Alá (deus) e pela consciência da população, foi cravado o último prego no caixão do terrorismo", disse o chefe de polícia Ahmadreza Radan, elogiando as manifestações pró-governo do regime da República Islâmica, segunda-feira, as quais terão dado "novo fôlego às forças no terreno", consistindo no "segredo desta vitória".
A mesma fonte frisou que a noite de quinta-feira foi marcada por "calma e segurança sem precedentes", destacando a inexistência de protestos ou manifestações, após o governo informar que a situação estava sob controlo, conforme noticiado pela rede de televisão iraniana Press TV.
As autoridades anunciaram, entretanto, a prisão de suspeitos de pertencerem a "células terroristas", em operações realizadas em diversas partes do país, nas quais também foram apreendidas armas.
O ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh, revelou também que há "informações precisas" que indiciam que os Estados Unidos da América (EUA), Israel e outros países instigaram os protestos e forneceram armas e apoio financeiro a "separatistas e terroristas".
O Irão alegou que as manifestações se tornaram violentas para dar ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma "desculpa" para uma intervenção militar, defendendo um diálogo com Washington para resolver o problema, ao mesmo tempo que afirmou que o país estava "preparado" para um conflito armado.
Israel lançou uma ofensiva militar contra o Irão, que durou 12 dias, em junho de 2025 -, com a participação dos EUA, que bombardearam três instalações nucleares - desencadeando um conflito de doze dias
Irão diz que ataque a Khamenei seria declaração de guerra
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, disse hoje que qualquer ataque contra o líder supremo Ali Khamenei seria uma declaração de guerra, em resposta ao apelo de Donald Trump para encontrar um novo líder para o Irão.
"Um ataque contra o líder supremo do nosso país equivale a uma guerra total contra a nação iraniana", escreveu Massoud Pezeshkian na rede social X.
No sábado, o Presidente norte-americano defendeu que "é hora de encontrar um novo Governo" para o Irão e classificou o líder supremo iraniano como um "homem doente" que mata manifestantes.
"Do que ele é culpado como líder do país é da destruição completa do país e do uso da violência numa escala nunca antes vista", declarou Trump em entrevista ao portal Politico.
"Para manter o país em funcionamento, no seu nível muito baixo de funcionamento, os líderes deveriam concentrar-se em administrar bem o país, como eu faço nos Estados Unidos, e não em matar milhares de pessoas para manter o controlo", argumentou Trump.
Os protestos no Irão começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerão fecharam os seus negócios devido à queda do rial, mas logo se espalharam a todo o país com gritos de "Morte à República Islâmica" e "Morte a Khamenei".
Teerão afirma não ter a contagem do número de mortos nos protestos que ocorreram na República Islâmica nas últimas semanas e que atribui a mercenários apoiados por Israel e pelos EUA, mas ONG da oposição sediadas no exílio, como a Iran Human Rights, estimam em 3.428 o número de mortos.
Trump pede "novo Governo" no Irão e acusa Khamenei de ser "homem doente"
O Presidente norte-americano defendeu hoje que "é hora de encontrar um novo Governo" para o Irão e classificou o líder supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, como um "homem doente" que mata manifestantes.
Esta foi a resposta de Donald Trump ao líder religioso fundamentalista, que hoje acusou o Presidente americano de ser responsável pelas mortes registadas durante a onda de protestos que varre o país - mais de 3.400, segundo organizações de Direitos Humanos.
"Do que ele é culpado como líder do país é da destruição completa do país e do uso da violência numa escala nunca antes vista", declarou Trump em entrevista ao portal Politico.
"Para manter o país em funcionamento, no seu nível muito baixo de funcionamento, os líderes deveriam concentrar-se em administrar bem o país, como eu faço nos Estados Unidos, e não em matar milhares de pessoas para manter o controlo", argumentou Trump.
"Governar tem a ver com respeito, não com medo e morte", acrescentou.
Para Trump, Khamenei "é um homem doente que deveria governar o seu país adequadamente e parar de matar pessoas".
"O seu país é o pior país do mundo para se viver devido à péssima governação", argumentou, antes de se referir novamente ao alegado número de 800 enforcamentos evitados na quinta-feira, um número que não foi corroborado pelas autoridades iranianas.
"A melhor decisão que ele (Khamenei) já tomou foi não enforcar mais de 800 pessoas há dois dias", destacou.
Durante as celebrações do Eid al-Mabath, Khamenei dirigiu-se a Trump, apelando à calma e assegurando ao público que o seu país "não entrará em guerra", mas também "não perdoará criminosos nacionais e internacionais".
O líder supremo iraniano reiterou que a violência, que começou como um protesto contra o colapso da moeda nacional, o rial, é culpa dos Estados Unidos.
"É sedição americana, e assim como quebramos a espinha dorsal da sedição, também quebraremos a espinha dorsal dos sediciosos", advertiu, antes de declarar a sua convicção de que o que está a acontecer no país é resultado de incitamento por parte dos Estados Unidos, com o objetivo final de "devorar o Irão".
O Irão afirmou que as manifestações se transformaram em violência para dar ao Presidente norte-americano um pretexto para uma intervenção militar.
Por isso, defendeu perante Washington um processo de diálogo para resolver as divergências, embora tenha declarado que o país está preparado para enfrentar um conflito armado.
Teerão afirma não ter a contagem do número de mortos nos protestos que ocorreram na República Islâmica nas últimas semanas e que atribui a mercenários apoiados por Israel e pelos Estados Unidos, mas organizações não governamentais da oposição sediadas no exílio, como a Iran Human Rights, estimam em 3.428 o número de mortos.
"América está contigo". Televisão estatal do Irão foi hackeada
A televisão estatal do Irão foi hackeada no domingo, com a programação a ser substituída por mensagens pró-protestos e contra o governo. Durante o ataque, foram emitidos dois vídeos do príncipe herdeiro do Irão, a apoiar o movimento e mensagens de motivação para continuar as manifestações.
A emissão da televisão estatal do Irão foi interrompida no domingo, por um ataque cibernético, levado a cabo por hackers, que substituíram a programação com mensagens pró-protestos e contra o governo nacional.
Segundo a Sky News, as imagens emitidas durante o ataque mostraram o príncipe herdeiro iraniano, Reza Pahlavi, em dois vídeos distintos.
"Eu tenho uma mensagem especial para o exército: vocês são o exército nacional do Irão, não o exército da República Islâmica", disse num dos clipes, que, apesar do corte generalizado de internet no país, foi parar às redes sociais. "Têm o dever de proteger as vossas próprias vidas. Não vos resta muito tempo. Juntem-se ao povo o mais rápido possível", acrescentou.
O gabinete do príncipe herdeiro admitiu, mais tarde, a veracidade das imagens, confirmando que se tratava mesmo do próprio a falar nos vídeos.
Para além da mensagem de Pahlavi, foram ainda passados gráficos com as palavras "a América está contigo", assim como a Europa, alertando ainda para o facto de as autoridades estarem a fazer "de tudo para manter a população ao escuro".
Durante o ataque cibernético, foram ainda mostradas imagens de elementos das forças de segurança que, alegadamente, "pousaram as armas e juraram lealdade ao povo".
A televisão pública admitiu a imprensa nacional que o sinal em "algumas áreas do país foram perturbadas momentaneamente por uma fonte desconhecida", sem reconhecer o ataque ou a mensagem que foi emitida.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde o dia 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial (a moeda iraniana) e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país. Os protestos acabaram por evoluir para um movimento de contestação do regime da República Islâmica.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e a Israel.
No domingo, um oficial iraniano adiantou à agência Reuters que as autoridades registaram, pelo menos, cinco mil mortos durante os protestos, sendo que cerca de 500 pertenciam às forças de segurança.
Contudo, a Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos Iraniana reportou, no mesmo dia, que quase nove mil mortes estavam sob investigação e que havia cerca de 25 mil detidos devido aos protestos.
Trump garante ter "enorme frota" a caminho do Irão "por precaução"
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que está a acompanhar de perto as autoridades iranianas devido à repressão dos protestos, anunciando ainda que tem uma "enorme frota" a caminho do Irão "por precaução".
"Temos muitos navios a ir nessa direção, por precaução. E veremos o que acontece. Temos uma grande força (...) Temos a Marinha. Temos uma enorme frota a ir nessa direção. E talvez não precisemos de a utilizar", frisou aos jornalistas a bordo do Air Force One, após regressar aos Estados Unidos do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.
As mais recentes declarações do republicano surgiram depois de o próprio Trump ter afirmado que não considerava necessárias "mais ações" contra o Irão.
O chefe de Estado norte-americano defendeu ainda que as suas ameaças a Teerão levaram ao cancelamento da execução de mais de 800 manifestantes, uma alegação negada pelo país da Ásia Ocidental.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou repetidamente as autoridades iranianas com uma possível intervenção militar na República Islâmica para deter a violenta repressão da onda de protestos, que encorajou a população a prosseguir, tendo afirmado: "A ajuda vai a caminho".
Mas depois disso, mudou de ideias e declarou que, afinal, os Estados Unidos não vão intervir para travar a repressão do regime teocrático dos 'ayatollahs' sobre a população revoltada e virou a sua atenção para a anexação da Gronelândia.
Os protestos no Irão intensificaram-se a partir do final de dezembro, impulsionados pelo agravamento da crise económica, pela elevada inflação e pelo descontentamento generalizado com o regime iraniano e a falta de liberdades civis.
As manifestações espalharam-se por várias cidades e têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança, com recurso a força letal.
Organizações não-governamentais de direitos humanos denunciaram milhares de mortos, milhares de feridos e detenções em massa, embora os números exatos sejam difíceis de confirmar devido a cortes no acesso à Internet e à censura estatal, o que tem gerado ampla condenação internacional.
Ministro iraniano dirige-se a Zelensky: "O Mundo está farto de palhaços"
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão dirigiu-se hoje diretamente ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para declarar que "o Mundo está farto de palhaços", após Kyiv ter apoiado uma intervenção militar norte-americana naquele país do Médio Oriente.
"Zelensky tem estado a esgravatar os bolsos dos contribuintes americanos e europeus para encher os bolsos dos seus generais corruptos e para lidar com o que ele chama de agressão ilegal em violação da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU)", disse Abbas Araqchi.
O responsável do executivo da República Islâmica do Irão criticou o facto de o líder ucraniano, "aberta e descaradamente, defender uma agressão ilegal dos Estados Unidos da América (EUA) contra o Irão", igualmente em clara violação dos estatutos da ONU.
"O Mundo já se cansou desses palhaços confundidos, Senhor Zelensky", afirmou.
Para Araqchi, as Forças Armadas da Ucrânia são apoiadas por "estrangeiros e estão repletas de mercenários", ao contrário do Irão, que, diz o responsável, sabe-se defender e "não precisa de pedir ajuda estrangeira".
"O que está a acontecer agora no Irão é um sinal claro de que as coisas não vão melhorar para a Rússia", declarou Zelensky na passada semana, referindo-se aos protestos que desde final de dezembro têm acontecido em várias cidades iranianas e que já provocaram mais de três mil mortos.
O presidente ucraniano defendeu que "todos os líderes, todos os países e todas as organizações internacionais devem intervir agora e ajudar o povo [iraniano] e remover os responsáveis por aquilo em que o Irão, infelizmente, se tornou".
Kiev tem acusado reiteradamente Teerão de apoiar a Rússia no contexto da invasão e guerra contra a Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, sob as ordens do presidente russo, Vladimir Putin, algo que tem sido recusado pelas autoridades iranianas, que fortaleceram os seus laços com Moscovo, nos últimos anos
Mais de 5.000 pessoas já morreram na repressão aos protestos no Irão
Mais de 5.000 pessoas morreram na repressão governamental dos protestos no Irão, disseram hoje ativistas, alertando que muitos mais podem ter morrido e que o país está sem internet há mais de duas semanas.
O balanço mais recente de mortos foi divulgado pela Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, indicou que 4.716 das vítimas mortais eram manifestantes, 203 estavam ligados ao Governo, 43 eram crianças e outros 40 civis que não participavam nos protestos.
A agência acrescentou que mais de 26.800 pessoas foram detidas, um número que continua a aumentar, numa campanha realizada pelas autoridades.
Os números do grupo de direitos humanos têm sido precisos em distúrbios anteriores no Irão e dependem de uma rede de ativistas no país para verificar as mortes. Este número de mortos supera o de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979.
A dificuldade em obter informações do Irão persiste devido ao corte do acesso à internet por parte das autoridades em 08 de janeiro.
Há ainda o escalar das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, à medida que um grupo de porta-aviões norte-americanos se aproxima do Médio Oriente.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, comparou o grupo de porta-aviões a uma "armada" em declarações aos jornalistas na noite de quinta-feira.
Os analistas dizem que um aumento da presença militar poderia dar a Trump a opção de realizar ataques, embora até agora o tenha evitado, apesar dos repetidos avisos a Teerão.
O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi, negou hoje uma alegação de Trump de que a sua intervenção até à data teria interrompido a execução de 800 prisioneiros detidos nas manifestações, classificando os seus comentários como falsos, segundo a agência de notícias do poder judicial iraniano, Mizan.
"Esta alegação é completamente falsa. Este número não existe, nem o poder judicial tomou qualquer decisão nesse sentido", disse Movahedi, segundo a Mizan.
Isto levanta novamente dúvidas sobre a possibilidade de execuções em massa como resultado dos protestos em todo o país. As autoridades já afirmaram que alguns detidos enfrentam acusações de pena de morte.
Trump afirmou que as execuções em massa e o assassinato de manifestantes pacíficos são linhas vermelhas para um possível ataque militar dos Estados Unidos ao Irão.
MNE iraniano alega que 600 mortos em protestos eram "terroristas"
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) iraniano, Abbas Araqchi, alegou hoje que, entre as 3.117 pessoas que Teerão reconhece terem morrido nos últimos protestos antigovernamentais, 600 eram "terroristas", enquanto 2.427 eram civis e membros das forças de segurança
O governo iraniano confirmou estes números poucos dias depois de a Fundação para os Mártires e Veteranos, um organismo governamental que presta assistência às famílias dos mortos em conflitos armados, ter divulgado os seus próprios dados, no primeiro balanço oficial da repressão dos protestos iniciados em 28 de dezembro.
Araqchi referiu ainda nas redes sociais que, no rescaldo das manifestações que abalaram o país contra a elevada inflação e desvalorização da moeda nacional, mais de 400 edifícios governamentais ficaram destruídos, além de 750 esquadras de polícia, 200 escolas, 300 ambulâncias e 800 veículos, quase 5.000 centros religiosos, entre outras propriedades e instalações.
Para o chefe da diplomacia de Teerão, estes danos são enquadrados como "ataques terroristas".
Apesar de reconhecer um elevado número de mortos civis, os dados oficiais estão abaixo dos indicadores fornecidos por organizações não-governamentais, com base em casos verificados.
O balanço mais recente foi divulgado pela agência de notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, que hoje apontou cerca de cinco mil mortos, dos quais 4.716 eram manifestantes, 203 membros das forças de segurança, 43 crianças e outros 40 civis que não participavam nos protestos.
A agência acrescentou que mais de 26.800 pessoas foram detidas, um número que continua a aumentar.
A organização Iran Human Rights (IHRNGO), com sede na Noruega, registou pelo seu lado 3.428 manifestantes mortos desde o início dos protestos, recorrendo a informações confirmadas diretamente ou por várias fontes, incluindo serviços médicos e morgues.
Outras estimativas apontam para números ainda maiores, podendo atingir os 20 mil, apesar do balanço oficial e das dificuldades de comunicações no Irão, sujeito a um bloqueio de Internet durante os protestos, que começaram a ser dissipados na semana passada.
O Irão foi abalado por uma nova vaga de protestos, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
A Amnistia Internacional acusou hoje as autoridades iranianas de desencadearem uma repressão militar para impedir novas mobilizações e esconder crimes cometidos contra manifestantes, apelando à comunidade internacional para travar "o derramamento de sangue e impunidade".
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, apelou hoje às autoridades iranianas para que "ponham fim à brutal repressão" contra os recentes protestos no país.
"Apelo às autoridades iranianas para que reconsiderem a sua posição, recuem de rumo e ponham fim à sua repressão brutal, incluindo julgamentos sumários e sentenças desproporcionais", afirmou Turk, na abertura de uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos dedicada à situação na República Islâmica.
Irão promete responder a ameaças de Trump no terreno
A Guarda Revolucionária iraniana prometeu hoje responder no terreno às ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio do envio de uma "frota enorme" norte-americana para águas próximas do Irão.
"Trump fala muito, mas deve estar seguro de que receberá a resposta no campo" de batalha, afirmou o comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, Majid Mousavi, em declarações citadas pela televisão estatal Press TV.
Mousavi é o responsável pelo programa de mísseis balísticos iraniano como chefe da força aérea do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.
Com centenas de milhares de efetivos, a força também conhecida por Guarda Revolucionária foi criada na sequência da revolução de 1979, que instituiu a República Islâmica, e tem por missão proteger o regime liderado pelo clero xiita.
Também o antigo general da Guarda Revolucionária e atual membro da Comissão de Segurança Nacional, Esmail Kowsari, reiterou que Teerão responderá de forma letal em caso de ataque, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
"Se os inimigos cometerem um ato agressivo, receberão uma resposta letal e dissuasora, e as bases norte-americanas na região serão um dos principais objetivos", afirmou, citado pela agência iraniana Fars.
Trump tem ameaçado Teerão com uma intervenção desde o início dos protestos no Irão, no final de dezembro, motivados pela desvalorização da moeda do país, o rial, e que evoluíram para contestação ao regime da República Islâmica.
As autoridades iranianas reprimiram as manifestações, que atribuem a uma instigação dos Estados Unidos e de Israel, resultando em milhares de mortos.
Organizações não-governamentais (ONG) da oposição têm divulgado balanços que variam entre 3.000 e 5.000 mortos, maioritariamente manifestantes, mas também membros das forças da ordem.
Trump afirmou na quinta-feira que uma "frota enorme" se dirigia para as proximidades do Irão e advertiu Teerão para que cessasse a repressão contra os manifestantes.
O porta-aviões "Abraham Lincoln", que se encontrava no mar da China Meridional, foi enviado para o Golfo Pérsico, de acordo com as autoridades de defesa dos Estados Unidos.
Face ao aumento de tensão, várias companhias aéreas europeias, incluindo a Air France, a alemã Lufthansa e a neerlandesa KLM cancelaram voos para a região do Médio Oriente.
Chefe do poder judiciário do Irão promete punir culpados "sem misericórdia"
O chefe do poder judiciário do Irão prometeu hoje realizar julgamentos "o mais rapidamente possível" contra os manifestantes detidos durante os protestos contra o regime e punir os culpados "sem a mínima misericórdia".
"O povo exige, com razão, que os acusados e os principais instigadores dos tumultos e atos terroristas e violentos sejam julgados o mais rapidamente possível", declarou Gholamhossein Mohseni-Eje'i, citando pela agência Mizan, órgão do poder judiciário.
Prometendo "o máximo rigor" nas investigações, Mohseni-Eje'i disse que "a justiça envolve julgar e punir sem a mínima misericórdia os criminosos que pegaram em armas e mataram pessoas ou propagaram incêndios, destruição e massacres".
Segundo as organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas foram detidas durante a onda de protestos contra o regime iraniano, que causou milhares de mortes no início de janeiro.
Irão executou homem condenado de espionagem a favor de Israel
O Irão executou hoje um homem detido em abril de 2025 que foi acusado de espionagem a soldo de Israel, anunciaram as autoridades judiciais de Teerão.
Hamidreza Sabet Esmailpour foi condenado por passar informações a um agente da Mossad - serviço de informações de Israel - foi enforcado, segundo a agência de notícias iraniana Mizan.
Foi dado como provado que Sabet recebeu instruções da Mossad para transportar veículos contendo explosivos na cidade de Isfahan (centro do Irão), destinados a "operações de sabotagem" e que enviou informações confidenciais ao serviço de informações israelita.
O homem foi detido no final de abril e segundo a agência Mizan, confessou as acusações e admitiu ter colaborado conscientemente com a Mossad em troca de pagamentos.
De acordo com o poder judicial iraniano, o tribunal baseou a sentença em relatórios de agências de segurança, documentos confidenciais e material apreendido.
Com a execução de Sabet, o número de pessoas enforcadas por supostas ligações a Israel aumentou para 18 desde a guerra de 12 dias travada entre os dois países em junho do ano passado.
Após a guerra, o Irão promulgou uma lei que endureceu as penas por espionagem a favor dos Estados Unidos e de Israel e estabeleceu a pena de morte para atos contra a segurança do país.
A execução ocorreu durante tensões com os Estados Unidos e após a chegada, na terça-feira, de meios navais norte-americanos à região do Golfo Pérsico.
Teerão prepara "resposta esmagadora" a qualquer ataque
O chefe do exército do Irão, general Amir Hatami, prometeu hoje uma resposta arrasadora a qualquer ataque dos Estados Unidos, apesar da ineficácia defensiva demonstrada por Teerão na guerra dos 12 dias em 2025.
Israel e o Irão travaram uma guerra entre 13 e 24 de junho de 2025, em que os Estados Unidos também participaram com o bombardeamento de instalações nucleares iranianas.
O conflito causou mais de mil mortos no Irão, incluindo altos comandantes militares, cientistas e políticos, e cerca de três dezenas de baixas do lado israelita, mas expôs fragilidades das forças iranianas.
Hatami anunciou na TV estatal que, face às ameaças norte-americanas, o exército tem como "prioridade reforçar os ativos estratégicos com vista a uma resposta rápida e esmagadora a qualquer invasão e ataque".
Sob as suas ordens, as unidades de combate receberam "mil drones estratégicos" fabricados pelo "exército em cooperação com o Ministério da Defesa".
Os aparelhos foram concebidos "de acordo com as novas ameaças e as lições aprendidas com a guerra de 12 dias" com Israel, acrescentou a televisão estatal iraniana, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O Irão possui uma forte indústria de drones e mísseis.
Em 2024, apresentou um modelo com um raio de ação de 2.000 quilómetros e capacidade de voo de 24 horas, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
A República Islâmica enfrenta uma potencial intervenção militar de Washington, que deslocou para a região o porta-aviões "Abraham Lincoln" e respetivos grupo de escolta, composto por três contratorpedeiros.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que a frota estava "pronta, disposta e capacitada para cumprir a missão, com rapidez e violência, se necessário", comparando a situação à da Venezuela e exigindo que Teerão assine um acordo.
O envio da frota foi ordenado após os protestos que abalaram o país desde o final de dezembro de 2025, reprimidos violentamente pelas autoridades.
Teerão acusa os Estados Unidos e Israel de terem instigado as manifestações, que pediam o fim da República Islâmica instaurada em 1979, após a revolução liderada pelo 'ayatollah' Ruhollah Khomeini, que derrubou o regime do xá Reza Pahlavi.
A organização não-governamental (ONG) norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA, na sigla em inglês), que possui uma rede de informadores no país, disse que morreram mais de 6.200 pessoas.
O Irão ameaçou bloquear o estreito de Ormuz, passagem fundamental para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O jornal Kayhan, afeto ao governo, afirmou hoje num editorial que "fechar o estreito é um direito da República Islâmica do Irão".
"Se o inimigo brandir uma espada, não vamos recebê-lo com um sorriso diplomático", acrescentou o jornal, citado pela AFP.
O barril de Brent, de referência para Portugal, ultrapassou hoje a barreira dos 70 dólares (58,5 euros, ao cambio atual) pela primeira vez desde setembro, segundo a AFP.
Na sequência da repressão das manifestações na antiga Pérsia, a União Europeia (UE) vai decidir hoje se inclui os Guardas da Revolução na lista de organizações terroristas.
"Se agem como terroristas, devem ser tratados como tal", defendeu a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pouco antes do início de uma reunião dos ministros dos 27, em Bruxelas.
Vários países, incluindo Portugal, França, Espanha, Bélgica e Itália, declararam-se favoráveis à medida contra o braço armado da República Islâmica.
O Irão já alertou para "consequências destrutivas" caso a UE avance com a decisão, que poderá ter um impacto limitado, uma vez que aquela força militar já é alvo de sanções europeias.
As vias diplomáticas não parecem ainda esgotadas, com Teerão a mostrar abertura para o diálogo e a Turquia a oferecer-se como mediadora.
A Rússia considerou hoje que o potencial de negociações está "longe de estar esgotado" e apelou para a contenção.
Irão avisa que responderá imediatamente a qualquer agressão dos EUA
As Forças Armadas iranianas afirmaram hoje que responderão imediatamente a qualquer agressão dos Estados Unidos, referindo que as bases e porta-aviões americanos no Oriente Médio estão ao alcance dos seus mísseis.
"O alcance da guerra estender-se-á, sem dúvida, por toda a região. Do regime sionista aos países que abrigam bases militares americanas, todos estarão ao alcance de nossos mísseis e drones", disse o porta-voz militar iraniano, Mohammad Akraminia, em declarações à televisão estatal.
Os Estados Unidos enviaram uma frota para o Médio Oriente liderada pelo porta-aviões americano Abraham Lincoln o respetivo grupo de escolta.
Isto surge num período de ameaças do presidente americano Donald Trump de atacar o Irão caso Teerão não concorde em negociar.
Em relação ao Abraham Lincoln, o porta-voz militar iraniano declarou que "esses porta-aviões são vulneráveis às capacidades de mísseis e mísseis hipersónicos da República Islâmica do Irão".
Sustentando que as Forças Armadas iranianas estão mais bem preparadas do que estavam durante a guerra de 12 dias em junho, iniciada por Israel contra o Irão, na qual os Estados Unidos participaram bombardeando três instalações nucleares iranianas, o porta-voz militar iraniano afirmou que "não é possível fazer previsões precisas" sobre as intenções de Trump.
"Estamos a lidar com um indivíduo narcisista e delirante que muda constantemente de posição. Se os americanos errarem nos cálculos, certamente não se desenrolará como Trump imagina: realizar uma operação rápida e, duas horas depois, dizer que a operação terminou", afirmou. Akraminia.
O Irão sofreu graves danos durante a guerra de 12 dias em junho com bombardeamentos israelitas diários contra alvos militares, civis e nucleares, além da morte de cerca de 30 oficiais militares de alta patente.
Mas Akraminia afirmou que os EUA não alcançaram o seu objetivo de "derrubar o sistema político e até mesmo desintegrar o Irão".
Trump declarou na quarta-feira que a frota mobilizada "está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão de forma rápida e, se necessário, com força" e comparou a situação à da Venezuela, onde prendeu Nicolás Maduro, e exigiu que o Irão chegasse a um acordo.
O presidente dos EUA ordenou o envio da frota após protestos que abalaram o país a partir do final de dezembro de 2025 e foram violentamente reprimidos pela República Islâmica.
Teerão acusa os Estados Unidos e Israel de instigarem os protestos, que começaram por questões económicas e rapidamente se expandiram para incluir exigências pelo fim da República Islâmica.
Os EUA alegam 3.117 mortes, enquanto Organizações Não Governamentais, como a HRANA, com sede nos EUA, elevaram o número de mortos para 6.373, com milhares de relatos não confirmados de assassinatos e mais de 40.000 prisões.
Irão avisa EUA que as Forças Armadas estão "com o dedo no gatilho"
O Irão advertiu hoje que as Forças Armadas estão "com o dedo no gatilho" e monitorizam de perto os movimentos do inimigo, referindo-se aos Estados Unidos, que deslocaram uma grande frota para o Médio Oriente.
"As Forças Armadas da República Islâmica do Irão estão em completo estado de alerta defensiva e militar, os movimentos do inimigo na região são monitorizados com precisão e temos o dedo no gatilho", afirmou o comandante em chefe do Exército iraniano, o general Amir Hatami, noticiou a agência Mehr.
Face a uma possível ação militar dos Estados Unidos contra Teerão, Hatami assegurou que se o inimigo cometer um erro, sem dúvida que porá em risco a própria segurança, "a segurança da região e do regime sionista (Israel)".
Estas afirmações chegam num momento de crescente tensão com os Estados Unidos, que deslocaram para o Médio Oriente uma frota encabeçada pelo porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln, juntamente com o grupo de escolta.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar se Teerão não negociar um acordo sobre o programa nuclear e se continuar com a repressão dos manifestantes.
Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abas Araqchi, declarou durante uma visita à Turquia que o país está disposto a negociar com os Estados Unidos uma solução diplomática sobre a contenda nuclear, em negociações "equitativas e justas".
O chefe da diplomacia iraniana criticou ao mesmo tempo as "contradições" dos Estados Unidos e assegurou que um ataque militar não é uma opção, já que os bombardeamentos aéreos de junho por parte dos EUA e de Israel não alcançaram o objetivo.
"Sofreram uma derrota em junho. Se tentarem outra vez, acontecerá o mesmo. Os Estados Unidos fazem uma proposta de negociar, mas uma negociação não pode começar com ameaças. Se quiserem uma negociação justa e razoável, o Irão estará sempre disposto", sublinhou Araqchi, em conferência de imprensa conjunta com o homólogo turco, Hakan Fidan, em Istambul.
Nos últimos dias, a Turquia tem tentado mediar entre Teerão e Washington para evitar uma nova escalada militar na região do Médio Oriente e facilitar uma nova ronda de negociações sobre a questão nuclear, as quais ficaram estancadas desde a guerra dos 12 dias, em junho.