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Protesto cresce em Teerão e Internet é cortada em todo o país
No 12.º dia de um movimento de protesto contra o regime iraniano, uma grande multidão de manifestantes concentrou-se hoje em Teerão e o país registou um corte geral da Internet, segundo uma organização não-governamental (ONG).
Muitos manifestantes, a pé ou a buzinar nos carros, concentraram-se numa importante avenida de Teerão, de acordo com vídeos publicados nas redes sociais e autenticados pela agência France-Presse (AFP).
Os canais de televisão persas sediados fora do Irão e outros meios de comunicação também transmitiram imagens de grandes manifestações noutras cidades, como Tabriz, no norte, e a cidade sagrada de Mashhad, no leste.
Entretanto, a ONG de monitorização de cibersegurança Netblocks, com base em "dados em tempo real", reportou "um apagão nacional da internet".
"Este incidente surge na sequência de uma série de medidas de censura digital cada vez mais rigorosas contra manifestações em todo o país e prejudica o direito do público à comunicação num momento crítico", sublinhou a Netblocks na rede social X.
Desde o início do movimento, que começou em 28 de dezembro em Teerão, têm ocorrido protestos em pelo menos 50 cidades, afetando 25 das 31 províncias do Irão, segundo uma contagem da AFP baseada em anúncios oficiais e notícias da imprensa.
Estes protestos, inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida, são os mais elevados no Irão desde os que eclodiram após a morte de Mahsa Amini em 2022, que foi presa por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado.
Pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram mortos no total, segundo um novo balanço divulgado hoje pela ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega.
"A repressão está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", realçou o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 2.000 foram detidas.
Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, reportaram pelo menos 21 mortes desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da AFP.
Neste contexto cada vez mais tenso, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, voltou a pedir "máxima moderação" perante os manifestantes, bem como diálogo e "escuta das reivindicações do povo".
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo em vários locais para reprimir as manifestações, bem como munições reais.
Em Abadan (oeste do Irão), segundo a IHR, uma mulher foi baleada diretamente no olho durante uma manifestação na noite de quarta-feira.
Um polícia iraniano foi também esfaqueado enquanto "participava nas ações para controlar distúrbios" perto de Teerão e morreu algumas horas depois, adiantou hoje a agência de notícias iraniana Fars.
Desde Washington, Donald Trump voltou a ameaçar "atacar o Irão com demasiada força" caso as autoridades "comecem a matar" manifestantes.
De acordo com a Amnistia Internacional, "as forças de segurança iranianas feriram e mataram" manifestantes e civis.
Líder supremo do Irão acusa manifestantes de querer agradar a Trump
O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, criticou hoje os manifestantes em protesto contra regime, afirmando que estão a "destruir as próprias ruas para agradar ao presidente de outro país", numa referência a Presidente norte-americano, Donald Trump.
Num discurso transmitido hoje pela televisão estatal, o governante supremo do Irão, de 86 anos, garantiu que as autoridades vão reprimir os manifestantes.
A intervenção pública inesperada de Khamenei demonstra a seriedade com que as autoridades estão a encarar os protestos, que levaram o Governo iraniano a cortar a internet e as linhas telefónicas com o exterior.
Manifestantes iranianos gritaram e marcharam pelas ruas desde a noite de quinta-feira até à manhã de hoje, após um apelo do príncipe herdeiro exilado do país para que as pessoas saíssem à rua em protesto contra a República Islâmica.
Segundo avançou a televisão estatal iraniana, "agentes terroristas" dos Estados Unidos e de Israel atearam fogo e provocaram violência, tendo garantido que houve vítimas, mas sem avançar pormenores.
Vídeos curtos divulgados na Internet por ativistas mostram alegadamente manifestantes a cantar contra o Governo do Irão à volta de fogueiras, enquanto destroços cobrem as ruas da capital, Teerão, e de outras áreas.
A dimensão total das manifestações não pôde ser ainda determinada devido ao bloqueio das comunicações, mas os protestos desta madrugada representam uma nova escalada da contestação iniciada a 28 de dezembro contra o custo de vida numa economia debilitada e sujeita a sanções económicas.
Os protestos iniciais contra as condições de vida evoluirão entretanto para uma contestação ao regime, transformando-se no desafio mais significativo ao Governo dos últimos anos.
As manifestações desta madrugada representaram também o primeiro teste para saber se a população iraniana seria influenciada pelo ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi, cujo pai fugiu do Irão pouco antes da Revolução Islâmica de 1979.
Pahlavi que convocou protestos para as noites de quinta-feira e de hoje, pedindo aos iranianos que fossem para as ruas gritar contra a república, conseguindo uma adesão inesperada.
As manifestações incluíram gritos de apoio ao Xá, algo que, até há pouco tempo, poderia resultar em pena de morte, mas que agora sublinha a raiva dos contestatários.
Quando o relógio marcou as 20:00 de quinta-feira, os bairros de Teerão explodiram em cânticos, disseram testemunhas citadas ela agência de notícias norte-americana AP.
Os cânticos incluíam frases como "Morte ao ditador!" e "Morte à República Islâmica!", além de elogios ao Xá como "Esta é a última batalha! Pahlavi voltará!".
Milhares de pessoas podiam ser vistas nas ruas antes de todas as comunicações com o Irão serem cortadas.
"Os iranianos exigiram a sua liberdade esta noite. Em resposta, o regime no Irão cortou todas as linhas de comunicação", disse Pahlavi.
"Desligou a internet. Cortou as linhas telefónicas fixas. Pode até tentar interferir com os sinais de satélite", reiterou.
Até ao momento, a violência em torno das manifestações fez pelo menos 42 mortos e mais de 2.270 detidos, segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA.
Duas organizações pedem à ONU e UE medidas contra autoridades iranianas
Duas organizações não-governamentais (ONG) pediram hoje à ONU e à UE que condenem e ajam contra as autoridades iranianas pela violência da repressão aos manifestantes que protestam há vários dias contra o regime.
"Os Estados-membros da ONU e órgãos regionais, como a União Europeia, devem emitir condenações públicas inequívocas e tomar medidas diplomáticas urgentes para pressionar as autoridades iranianas a parar o derramamento de sangue", afirmaram, num comunicado conjunto as ONG de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) e Human Rights Watch (HRW).
As ONG "apelam às autoridades judiciais de outros países para que iniciem investigações criminais ao abrigo do princípio da jurisdição universal, com vista a emitir mandados de detenção para os suspeitos de responsabilidade", de acordo com a mesma nota.
A AI e a HRW criticaram o "clima prevalecente de impunidade sistémica" que consideram ter permitido às autoridades iranianas "cometer crimes ao abrigo do direito internacional", incluindo "homicídios, tortura, violação e desaparecimentos forçados para eliminar e punir a dissidência".
A repressão dos protestos no Irão causou a morte, indicaram as ONG, de 28 manifestantes, entre os quais várias crianças, entre 31 de dezembro e 03 de janeiro.
"As forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica e a polícia iraniana utilizaram ilegalmente espingardas, caçadeiras carregadas com balas de metal, canhões de água, gás lacrimogéneo e espancamentos para dispersar, intimidar e punir manifestantes maioritariamente pacíficos", apontaram.
Um balanço avançado na quinta-feira pela ONG Iran Human Rights indicou que pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram já mortos, sendo que centenas de pessoas ficaram feridas e mais de duas mil foram detidas.
Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, registaram pelo menos 21 mortos desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança.
"As pessoas no Irão que ousam expressar raiva por décadas de repressão e exigir mudanças fundamentais estão, mais uma vez, a ser confrontadas com um padrão mortal de forças de segurança que disparam ilegalmente, perseguem, prendem e espancam manifestantes", criticaram a AI e a HRW.
Face à situação, "o órgão máximo de segurança do Irão - o Conselho Supremo de Segurança Nacional -- deve emitir imediatamente ordens para que as forças de segurança cessem o uso ilegal da força e de armas de fogo", defendeu a diretora-adjunta da AI para o Médio Oriente e Norte de África, Diana Eltahawy.
"A frequência e persistência com que as forças de segurança iranianas têm usado ilegalmente a força, incluindo força letal, contra manifestantes, combinada com a impunidade sistemática de membros das forças de segurança que cometem violações graves, indicam que o uso dessas armas para reprimir protestos continua enraizado como política de Estado", sublinhou, por seu lado, o diretor-adjunto para a região da HRW, Michael Page.
Os protestos no Irão começaram a 28 de dezembro, inicialmente devido ao custo de vida decorrente de uma forte desvalorização da moeda e inflação galopante, mas espalharam-se rapidamente por todo o país, passando a exigir a queda do sistema da República Islâmica.
"As autoridades responderam com dispersões violentas e detenções em massa, com centenas de pessoas já detidas arbitrariamente e em risco de tortura e outros maus tratos", referiram as ONG, explicando que estas denúncias têm por base entrevistas a 26 pessoas, incluindo manifestantes, testemunhas oculares, defensores dos direitos humanos, jornalistas e um profissional médico, além de declarações oficiais e dezenas de vídeos 'online' verificados.
Essas "28 vítimas foram todas baleadas pelas forças de segurança, inclusive com balas de metal disparadas de espingardas", avançaram a AI e a HRW, adiantando que as autoridades negaram qualquer responsabilidade.
De acordo com as ONG, as autoridades forçaram algumas famílias das vítimas a aparecer na comunicação social estatal para dizer que as mortes tinham decorrido de acidentes ou foram responsabilidade de manifestantes e enviaram agentes para hospitais, impedindo manifestantes feridos de procurar cuidados.
"As autoridades iranianas devem libertar imediata e incondicionalmente qualquer pessoa detida apenas por participar pacificamente ou expressar apoio a manifestações", exigiram as ONG de defesa dos direitos humanos.
"Todos os detidos devem ser protegidos contra tortura e outros maus-tratos e ter acesso imediato às famílias, advogados e qualquer assistência médica de que necessitem", concluíram.
Iranianos continuam em protesto e voltam a encher ruas de Teerão
O Irão registou hoje à noite novas manifestações contra o regime, principalmente em Teerão, onde os iranianos marcharam pelas principais vias, segundo vídeos e imagens divulgadas nas redes sociais, apesar do bloqueio nacional da Internet.
Ao décimo terceiro dia de um movimento de protesto que ganha força apesar da repressão, os habitantes da capital batiam com panelas e entoavam palavras de ordem hostis ao Governo, incluindo "Morte a Khamenei", em referência ao Líder Supremo do Irão.
Neste bairro de Sadatabad, no noroeste de Teerão, foram acompanhados pelas buzinas de automóveis, de acordo com o vídeo autenticado pela agência France-Presse (AFP).
Outras imagens publicadas nas redes sociais mostraram manifestações semelhantes noutros locais de Teerão.
"Há indícios credíveis de que a República Islâmica pode tentar transformar esta noite num massacre, sob o pretexto de um bloqueio total das comunicações", alertou Shirin Ebadi, advogada iraniana exilada e Prémio Nobel da Paz de 2003.
A conectividade está "reduzida a 1% do seu nível normal", frisou a organização não-governamental (ONG) de monitorização de cibersegurança Netblocks.
O bloqueio da Internet "não é um problema técnico no Irão, é uma tática", afirmou Ebadi, dizendo ter sido informada de que centenas de pessoas foram levadas para um hospital de Teerão na quinta-feira com "graves ferimentos oculares" causados por tiros de balas de borracha.
Pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, foram mortos e centenas ficaram feridos em todo o Irão desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, segundo o mais recente balanço da ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, hoje divulgados.
Na noite de quinta-feira, imagens verificadas pela AFP mostraram multidões de pessoas a pé em Teerão.
Na sexta-feira, a televisão iraniana mostrou a extensão dos danos, citando o presidente da Câmara de Teerão, que afirmou que mais de 42 autocarros, veículos públicos e ambulâncias foram incendiados, além de 10 edifícios governamentais.
Um procurador distrital na cidade de Esfarayen, no leste do Irão, juntamente com vários membros das forças de segurança, foram mortos na noite de quinta-feira durante os protestos, segundo fonte judicial.
O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, avisou hoje que o regime não vai recuar perante a onda de protestos que desafiam a República Islâmica, no poder desde 1979.
Dirigindo-se aos seus apoiantes que gritavam "Morte à América", Ali Khamenei adotou um tom agressivo num discurso transmitido pela televisão estatal.
"A República Islâmica não recuará perante os sabotadores", declarou, denunciando a destruição, no dia anterior, de um edifício em Teerão por "um bando de vândalos".
A Guarda Revolucionária, o Exército ideológico do Irão, considerou a situação inaceitável, prometendo proteger a 'revolução islâmica'.
Também o poder judicial alertou hoje que a punição para os "manifestantes violentos" será máxima.
Estes protestos são os maiores no Irão desde os que se seguiram à morte de Mahsa Amini, em 2022, presa por violar o rígido código de vestuário feminino.
As manifestações eclodem num momento de fragilidade do país após a guerra com Israel e os ataques a vários dos seus aliados regionais, enquanto a ONU restabeleceu, em setembro, as sanções relacionadas com o programa nuclear iraniano.